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Francis Drake e a Cuca

 A Cuca, De Tarcila  Man o´War

Não sei se é de domínio popular, mas a Cuca não é uma invenção de Monteiro Lobato. A Cuca é um personagem mitológico trazido ao Brasil pela colonização portuguesa. Em Portugal o personagem se chama Coca e é associada a um dragão com escamas. A História é a mesma: a Cuca é um monstro que assusta meninos e meninas que não querem dormir. Em suas estórias, Monteiro Lobato descrevia a Cuca como uma velha com cara de jacaré e unhas de gavião. Quem a transformou numa bruxa loira em forma de jacaré foi a mídia visual. Mas por que estou escrevendo isto? Respondo! Primeiro, porque estou de férias e está sobrando um pouco de tempo. Segundo, porque sempre gostei de usar as férias para fazer alguma coisa que eu gostasse. Quando era um piá, já cheguei a ler duas enciclopédias numa das férias de verão (isso numa cidade como Camboriú). Não que eu goste só disso. Terceiro, gosto muito do que a serendipidade pode fazer com a gente, das surpresas que ela pode trazer. Só para esclarecer, porque "serendipidade" lamentavelmente ainda não está no novo dicionário Houaiss (que é o que respeito e uso), serendipidade está relacionada com o fato de você achar algo que você goste mas que não estava procurando. Não curto muito ir para a praia ouvir aquele tuj-tuj imbecilizante e nem ouvir a música da moda do Teló (não sei se é assim que se escreve e nem tô ligando), representante atual do tipo de música que está idiotizando o Brasil (alguém já parou pra pensar como é que é possível um povo inteiro como o da Coreia do Norte sofrer lavagem cerebral? Não? Resposta simples: ouvindo todo dia a mesma coisa e só que que "querem" que você ouça. Não é meio parecido com o que acontece com a música brasileira?). Então... voltando... de férias numa pequena praia próxima à "maravilha do sul", vi um episódio do desenho do sítio do pica-pau amarelo e achei uma oportunidade muito boa para estudar o mito da Cuca. Graças à internet-Vivo, tenho acesso ao mundo daqui (a TIM é lamentável por aqui). Além do que já escrevi, o mito vem de um tal de Jack o´Lantern (em alguns países de línguas portuguesa ou espanhola também conhecido por Coca), um mito irlandês de um cara que enganou o diabo e conquistou a promessa de que não seria puxado para o inferno, mas também não foi aceito no céu (porque Jack Miserável era persona non grata ali). Por isso, teve que ficar vagando por aí. Era representado através de esculturas em nabos e beterrabas gigantes. Quando o mito foi levados pros states, pelos irlandeses, foi adaptado para a abóbora. Agora, você vê... uma coisa puxa a outra e eu tava procurando porque se escreve o´Lantern em inglês, porque eu tinha uma dúvida antiga sobre um modelo de navio que montei há décadas, o Man o´War, classe do barco mais famoso do corsário Francis Drake. Corsário é um pirata autorizado (tipo um 007), i.e., pode fazer o que um pirata faz tendo permissão de uma nação. Nosso próprio herói Pedro Álvares Cabral tinha em sua missão (aquela mesma que "descobriu" o Brasil) atacar e saquear navios árabes (o que cumpriu com louvor). Eu já tinha procurado, mas nunca encontrado. Man o´War quer dizer Man of War. Simples assim. O Jack fica sendo então o Jack da lanterna. Por aqui, podemos chamar a cabeça esculpida numa abóbora de cuca, aqui no Brasil. Isso é legal. Minhas filhas vão adorar! Aliás, conforme um estudioso Português (quem quiser pode procurar detalhes na internet), a segunda casca do coco tem esse nome por causa da cuca (coco era o masculino da coca). Ele recebeu esse nome porque tem três "buracos" que o fazem parecer com uma caveira, um dos símbolos que eram usados para representar Jack, coca ou cuca. Esse foi o momento "cultura inútil" de hoje.



Categoria: Boca no Mundo
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 20h53
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Mancha Solar ao Nascer do Sol

Na foto tirada pouco antes das 6h30min do dia 4 de janeiro de 2012 (Canon XTi, teleobjetiva de 300mm, local: 27o03'S e 48o35' W) do Sol nascendo num horizonte limpo mostra, acima do centro do Sol, um conjunto de três manchas. As duas mais evidentes são a 1389 e a 1388, respectivamente. Lembro-me de ter visto muitos vídeos no youtube do sol se pondo, mostrando supostos "objetos que ficam na frente", remetendo a discos voadores. Impressionante o que a ignorância e nossa natural tendência de arranjar explicação pra tudo pode fazer. Nesta foto eu estava evidentemente num momento de ver o Sol nascer. As manchas foram um ganho extra. Algo realmente gratificante no lugar que estou. Fico empoleirado num rochedo onde o mar fica batendo e tenho esta visão magnífica do Sol nascendo.



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 20h54
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Manchas solares em setembro

 

Mancha solar de 4 de setembro de 2011. Foto com Celestron 8" e Canon A510, usando filtro solar Baader de 8". No exato momento em que eu tirava estas fotos, o grupo de manchas que estava se pondo a oeste do Sol (abaixo) emitia um flare de raios X classe M3 (que obviamente não foi registrado na foto) [fonte:spaceweather.com].

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 18h32
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X Class Solar Flare

 

No último dia 9 de agosto, a região da mancha 1263, vista nesse blog nos posts imediatamente anteriores, emitiu um violento (classe X7) "flare" solar. Por sorte ou felicidade, ele não estava direcionado para a Terra. A escala de flares é classificada por sua densidade de potência (W/m2) e tem basicamente 4 níveis, B, C, M e X, separados entre si por escala logarítmica decimal. Isto quer dizer que um flare B4 é 10 vezes mais potente que um C4. Um X7, é 10 vezes mais potente que um M7, 100 vezes mais potente que um C7 e 1000 vezes mais potente que um B7. Um flare class X pode provocar longas tempestades de radiação, danificar satélites e sistemas de comunicação e até danificar equipamentos de distribuição de energia elétrica em substações.

O video abaixo foi registrado pelo Solar Dynamics Observatory na faixa do violeta extremo (131 angstrom), em 9/ago/2011, com início as 3h48min EDT, vinda da mancha 1263.  http://www.nasa.gov/multimedia/videogallery/index.html?media_id=105694111

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 13h20
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Manchas solares, ainda...

Ainda a evolução da mancha solar (aproveitando que o tempo está bom!). Na sequência de imagens dos últimos posts pode-se notar a rotação do Sol. Os ângulos não facilitam isto. Nesta foto eu ainda coloquei o eixo norte-sul do Sol. É só perceber como o conjunto 1263 de manchas vai a cada dia chegando mais perto da borda. O conjunto também se modifica de um dia para o outro. As manchas na foto são artefatos (ruídos de imagem) devidos ao posicionamento imperfeito entre máquina fotográfica e telescópio.



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 11h04
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Manchas solares

Segue um close da principal mancha solar em 5 de agosto de 2011.



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 12h32
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Manchas solares em 4/8/2011

 

Estas são manchas solares na manhã de 4 de agosto de 2011. A foto foi tirada com uma Canon XTi com tele de 300 mm e filtro solar Baader. O norte do sol está aproximadamente acima do número 8 na foto.

 

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 11h59
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Capim limão, erva cidreira

 

Capim-limão, capim cidreira ou citronela (veja desenho) são alguns dos nomes da Cymbopogon citratus, aquela planta de folha comprida que corta o dedo quando a deslizamos sobre a pele. Fui pegar umas folhas para fazer o famoso chá (que é uma delícia, quente ou frio). Pedi para minhas filhas acompanharem o processo de ‘colheita’ para saberem como evitar o corte nas mãos. Não adianta a gente falar, a criança tem que experimentar (e nisso ela está completamente certa). Uma, raspando as folhas na mão para sentir a aspereza, fez um corte comprido num dedo. Pronto, estava iniciada! Subimos para o meu “quarto de estudo” (um eufemismo para uma biblioteca misturada com escritório e laboratório) e mostrei uma folha ao microscópio. A foto que tirei está aí, mostrando porque é que ao deslizarmos a folhas em um dos sentidos ela nos corta. Legalzinho, não?!

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 00h16
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Espetacular passagem da ISS.

Agora há pouco a ISS com a ATLANTIS acoplada fez uma espetacular passagem. Vi, eu e minhas filhas, até as 18h29min03seg (com binóculos). Para os que gostam ou os que querem se despedir dos Shuttles (é o último voo deles), vale a pena. Nos próximos dias farão ainda muitas passagens.

16 Jul-2.618:23:1810NNW18:26:1736NE18:28:3415ESE

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 18h31
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O Fim da Era SHUTTLE

 

     

Saí para dar uma olhada na Lua e quando olhei para cima, com toda aquela poluição luminosa que Curitiba oferece, vi um ‘puta meteoro’, branco, indo aproximadamente da Nunki (sgr) até a Brachium (lib), atravessando o escorpião, com magnitude certamente negativa (mais brilhante que alfa-cen), embora eu não tenha conseguido estimativa melhor. Mas eu falar do final da era Shuttle (ou tecnicamente o Space Transportation System program). A foto aqui é da Atlantis em sua passagem por Curitiba em 10 de julho de 2011, com magnitude de -0,1, perto das 6h05min da manhã. A ISS a precedeu em três minutos com magnitude 2,1. A Vic, minha filha de 9 anos, levantou e foi me acompanhar na observação. O frio de cinco graus centígrados numa madrugada com neblina não estava tão desagradável. Minha filha viu primeiro. Ela está ficando boa nisso. Pois é, este é o último vôo do último Space Shuttle. Uma era se fecha. Foram cinco espaçonaves: Columbia, Chalenger, Discovery, Atlantis e Endeavour. As duas primeiras viraram tragédias, mas no total das 135 missões (essa última ainda não terminou), foi um programa de espetacular sucesso. Fiz questão de ver o lançamento e as passagens desta missão (STS-135) porque eu não perdi um segundo da história e das cenas do primeiro lançamento no início dos anos 80´s. Vai deixar saudades...

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h54
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O 'Meteorito' de Curitiba

 

No dia 8 de julho de 2011, de manhã, Eu (Bertoldo) e o Prof. Dietmar Foryta, Astrônomo da UFPR, fomos chamados para uma entrevista sobre um suposto meteorito encontrado em Curitiba (a suposta descoberta ocorreu de fato há vários meses). Não levamos mais do que 2 segundos, cada um, independentemente (chegamos em horários diferentes), para ver que a pedra NÃO era um meteorito. A ‘pedra’ era porosa, cheia de cavidades interiores, incompatível com o aspecto de um meteorito, fosse ele metálico ou rochoso. Além do mais, tinha o aspecto de escória de ferro fundido (já vi aquilo no setor de Mecânica da Universidade). Explicamos isso à reportagem, em linguagem popular, mas com grande rigor científico (o que incluiu, claro, a possibilidade de que poderíamos estar errados e de que aquele seria o primeiro meteorito do tipo, apesar de uma chance esmagadora contra). Fizemos uns 20 minutos de gravações e respostas a várias perguntas, mas o que saiu no ar (de uma grande rede de televisão e num prestigiado jornal) deu a impressão de que era mesmo um meteorito. Eu indiquei o (passei o cartão dele para a reportagem e para o ‘cara do meteorito’, o Maicon Colussi) Rodrigo Sato, geólogo meteorista de Florianópolis,como especialista que podia dar a última palavra (70 % dos meteoritos que tenho foram comprados dele). Infelizmente, a reportagem puxou a sardinha para o lado mais polêmico e agora eu me sinto no dever de dissolver essa sensação de que foi encontrado um meteorito em Curitiba. A História do cara é até interessante e compatível com um avistamento próximo de queda de meteorito. Pode até ter acontecido, mas a pedra que ele encontrou NÃO era um meteorito (veja a foto). Muitas pessoas me ligaram e enviaram email querendo mais detalhes e vou aproveitar para responder por atacado, por aqui. NÃO era um Meteorito! Levei algumas ferramentas. A pedra tinha aparência vítrea, não era metálica (fiz raspagem para verificar se havia metal no interior), não apresentava reação magnética na presença de um ímã forte e era pouco densa (Fato verificado pelo Dietmar) [eu chutaria uma densidade entre 1,5 e 2,5]. Resumindo, nenhuma característica de meteorito estava presente na pedra (somente um único exemplo de regmaglipto, mas as bordas eram cortantes e não arredondadas, como num meteorito). Segue a foto da pedra. Uma foto que mostra as cavidades internas que descaracterizam a pedra como meteorito. O Prof. Dr. Marcos Antonio Florczak, do departamento de Física da UTFPR, enviou-me um email indicando dois órgãos no Brasil que atuam na área da meteorítica/; CBPF, grupo de meteorítica, mineralogia e arqueometria, em http://portal.cbpf.br/index.php?page=GruposPesquisa.Apresentacao&grupo=56 e o Museu Nacional (Rio), Projeto: Meteoritos (SID: 370102P. 025-0). Coordenadores: Maria Elizabeth Zucolotto e Victor Klein, em http://www.dgp.museunacional.ufrj.br/old/metdgp.htm.

Reportagem veiculada: http://g1.globo.com/videos/parana/v/morador-desconfia-que-um-meteorito-caiu-na-quintal-da-casa-dele/1559239/#/Paran%C3%A1TV2/page/3

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 11h27
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O poliedro flexível (Steffen Polygon)

 

Qualquer polígono (figura com o mesmo número de lados e ângulos) pode ser flexível, exceto o triângulo. Você pode imaginar um quadrado virando um paralelogramo qualquer, um hexágono sendo reformado de diversas maneiras. Basta imaginar que em cada vértice há uma articulação. Mas com o triângulo isto é impossível! Você pode tentar fazer o que quiser. Num plano, qualquer triângulo é absolutamente fixo, inflexível. Conforme Ian Stewart (em seus famosos jogos matemáticos), até bem pouco tempo atrás pensava-se que qualquer poliedro (um sólido cujas faces são polígonos) com faces triangulares fosse inflexível. Bom, ainda bem que sempre se dá um jeito de mostrar para os matemáticos formais que sua ciência está longe de ser aquela coisa desinteressante de definições, conjecturas, provas, etc. Há algum tempo o Professor Klaus Steffan, da Universidade de Düsseldorf, mostrou o que parece ser o mínimo poliedro flexível contendo, o que é interessante, somente faces triangulares. É o que mostra a figura abaixo. Montei-a da velha forma, no esquadro e compasso e me diverti montando-a. No final, o poliedro é bem flexível num dos planos. Você pode imprimir a figura, recortar e colar (lembre-se de deixar abas para colagem nas arestas com setas). Experimentem!

Eu já ia me esquecendo. Existe algo ainda muito interessante, a "conjectura do fole" (que atualmente está demonstrada) que diz que o volume de um poliedro é constante MESMO que seja flexível. Legal, não?!

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 18h19
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Eclipse Lunar Total de 15 de junho de 2011

Foi o que deu para fazer com as condições de nebulosidade locais.



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 21h53
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Células Solares: Tecnologia de areia!

Muitos acham que é a vez das células solares tomarem seu lugar nas matrizes energéticas. O problema é que está difícil conseguir uma tecnologia barata o suficiente para que seja interessante. Células solares (CS) são feitas basicamente de silício e sim, se você estiver se perguntando, ainda é o material mais promissor para isto. As CS são caras porque precisam justamente do mais caro tipo de silício, o silício de alta pureza cristalino. Cristalino porque forma redes moleculares com arranjo bem comportado de alta simetria. O silício puro é basicamente obtido de um processo muito simples: Aquece-se a areia (ou quartzo) junto com carvão (carbono) em um forno com temperatura de 1400 °C fazendo com que o carbono se ligue ao oxigênio liberando gás carbônico e deixando o silício puro para trás. Simples, mas o preço do quilograma de silício puro tem estado estável perto dos 40 USD/kg. Existem outros materiais, mas nenhum com eficiência comparável ao silício. Quem quiser saber exatamente como funciona pode buscar na internet. Há dezenas de bons sites. Basicamente o que acontece é que existem materiais que quando um fóton incide em sua superfície, um elétron é liberado da mesma, podendo compor (juntamente com muito outros gerados pelo mesmo processo) uma corrente utilizável. Einstein ganhou seu Nobel por seu pequeno trabalho (pequeno quando comparado com seus outros trabalhos) que explicou o efeito fotoelétrico.  Mas só pra terminar este post, é interessante pensar que toda a tecnologia eletrônica de hoje está baseada numa das coisas mais comuns no planeta: areia. A imagem iconográfica que tenho de um bom futuro para a humanidade é uma criança construindo seu castelo de areia numa praia. A humanidade evolui à custa de seus castelos de areia.



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 13h33
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Grafeno

 

Começou há muitos anos (1985), quando descobriram o fulereno, uma molécula tridimensional (dependendo do contexto, pode ser quase adimensional) estável feita de carbono que tem a forma exata de uma bola clássica de futebol, com seus hexágonos e pentágonos (isso deu um Nobel aos pesquisadores-descobridores em 1996). Daí até chegar ao nanotubo de carbono foi um pulo. Um nano tubo tem seu diâmetro tão pequeno em relação ao comprimento do tubo que pode ser considerado uma entidade unidimensional. Recentemente, bolaram um modo químico (usando ácido sulfúrico e permanganato de potássio) de quebrar um tubo e desenrolá-lo. Com isso, fizeram uma folha de um átomo de espessura com estrutura molecular hexagonal (tipo tela de galinheiro), o grafeno, que deu Nobel para seus inventores em 2010. Isto é, molécula de carbono bidimensional. O grafeno é quase grafite, ou vice-versa. Tecnicamente, o grafeno passa a ser grafite se tiver várias camadas de grafeno. A simples força de escrever num papel é suficiente para deixarmos layers de grafeno sobre o papel (fonte, IEEE spectrum). “Estivemos escrevendo com grafeno por muitos séculos antes de apreciá-lo” (Sinitskii & Tour). O interessante do grafeno é que ele tem propriedades interessantíssimas e ainda pouco explicadas. É o mais resistente material 2D já testado (200 vezes mais forte que o aço), é melhor condutor térmico que os metais, e é capaz de conduzir portadores elétricos a velocidades inacreditáveis (14 vezes mais rápida do que a velocidade sobre silício). Um FET (Field effect transistor) é feito somente unindo uma lâmina de grafeno a três eletrodos. Como o grafeno é ambipolar, maneiras inteligentes devem ser usadas para transformá-lo em dispositivo unipolar, útil em eletrônica. A Universidade da Californa (Los Angeles) demonstrou um transistor capaz de operar a 300 GHz. Ypsionante!!!

 



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 02h10
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