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Júlio Verne

Há 100 anos morria um gênio da literatura. Júlio Verne. Nascido em Nantes, em 1828, numa família abastada e harmoniosa (conforme Mônica C. Correia), teve uma infância feliz e mesmo tendo estudado Direito (seu pai era advogado), preferiu trilhar o caminho das letras. O resto da história pode ser encontrada em dezenas de publicações que pululam este ano de 2005. Ele foi praticamente o inventor da ficção com a finalidade de ensinar (geografia e ciências, no caso), coisa que aprecio muito. Aprecio acima de todos os outros tipos de ficção. Arthur Clarke é outro expoente desta área. Esses dois caras eu citei com carinho nos agradecimentos de minha tese de doutorado, como os caras que me iniciaram na ciência, que mostraram que a coisa é divertida. Entrar em contato com os mundos maravilhosos de Verne é tantalizante. Tem o efeito de se abrir o crânio e jogar lá as idéias líquidas para que perfundam rapidamente, geladas para que se sinta o choque e o frescor de um banho frio e eletrizadas, para que se fique naquele tipo de excitação que mistura a urgência de se sair de uma situação de grande perigo com o encantamento pelo próprio mecanismo e fisiologia do perigo. Parafraseando outro grande homem, cujo centenário de sua obra também é comemorado este ano, uma vez que se leia Verne, a mente nunca mais volta ao tamanho original. Na segunda metade dos anos setenta, foi que conheci Verne. Eu estudava num colégio de padres e na biblioteca tinha uma coleção impressionante (para aquela cidadezinha que até os noventa não tinha tido uma única livraria de verdade). Tinha uma do Verne. Ficava ao lado da do Jorge Amado, não sei por quê. Eram uns vinte livros. Li nos meus quinze anos uns quatro, pelo que me lembro (depois li mais oito e tem muito mais que preciso ler ainda). Meu predileto sempre foi “O Capitão de Quinze Anos” (não e impossível que o fato de eu ter essa idade na época tenha influência nisso), onde prova que absolutamente não é racista, como querem fazer crer alguns ‘estudiosos’. O ‘segundo’ predileto, “A Ilha Misteriosa”.... Verne é conhecido por seu maniqueismo, mas seu melhor personagem, o Capitão Nemo, está muito longe disso. Foi a primeira vez que encontrei um personagem sobre o qual eu não sabia o que pensar. Um cara que fazia questão de não ter pátria. Você fica tentando entender um cara assim. Verne não é classificável. Escreveu sobre quase tudo e parece que a única culpa que realmente teve é não ter dado muito espaço para a  mulher em seus textos.

Algumas cenas, sejam pela estranheza ou pelo inauditismo, ficam pra sempre na memória. Lembro de um manda-chuva de uma tribo que era um cachaceiro de primeira. Seu sangue era quase álcool puro. Deram pra ele água ardente inflamada, i.e., pegando fogo... e o cara começou a pegar fogo e os ‘mocinhos’ aproveitaram pra fugir. É um treco quase impossível, mas ficou na cabeça. Anos mais tarde eu queria ver essa passagem novamente pra ver se era isso mesmo. Comprei o livro e numa leitura dinâmica não encontrei. Daí você fica pensando que é a tua memória que está ruim. Recentemente descobri que o tal livro tinha texto integral, mas só do primeiro de dois tomos do livro que eu li. Caralho! Xinguei a Hemus que o “editou”, o “Capitão de 15 anos”. Pior que isso só a tradução do Lobato de Moby Dick,  onde ele mata metade do texto, incluindo a melhor passagem do livro. Uma besta! ... Bom. Fica aí minha homenagem ao velho criador das viagens extraordinárias. O steampunk dos cérebros, audácia, honra, músculos, vapor e eletricidade. Sem ele o século XX não seria o mesmo (nem o XXI e os próximos). Muitos biógrafos acreditam que ele viajava nas letras porque não podia viajar na ciência. O que Verne diria se soubesse que influenciou a ciência e cientistas aos milhares, exploradores e poetas... e vai continuar influenciando e encantando?  Como disse Olavo Bilac, mesmo depois de morrermos, “outros homens dirão o mesmo... e abençoarão o nome desse criador de mundos maravilhosos.”



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h00
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Bullying

Do inglês, é qualquer comportamento que amedronta, intimida, ameaça, ofende, agride ou exclui. É aquele babaca que existe em qualquer turma escolar. Aquele valentão que quase invariavelmente acaba virando lixo depois de adulto. É um problema sério nas escolas, principalmente nos ensinos básico e médio (ou quaisquer que sejam os nomes que estão dando hoje). Um problema que desvia a energia dos indivíduos para a sobrevivência naquela selva social, quando deveria estar sendo gasta com aprendizado em outros níveis. Quando eu era criança, no antigo ensino primário, tinha um tal de Antônio, caolho e muito mais velho que a média da turma. Colégio de Freiras, o cara vandalizava no recreio. Enchia o saco de todo mundo, só por encher (claro que hoje eu diria que sua sensação de deslocamento fazia com que entrasse em contato do único jeito que conhecia, o jeito ogro). Eu tinha cara de gordinho molão, mas na verdade eu tinha um defeito grave, eu não tinha medo. Não era coragem, era burrice. Numa das vezes que o cara veio me dar um croque (sabe? Bater com os nós dos dedos na cabeça, nunca admiti apanhar na cabeça) eu o enfrentei e meti a mão em sua cara. Coisa rápida. Mesmo naquele tempo eu sabia que minhas pancadas não tinham surtido nenhum efeito mecânico no gigante, mas o efeito moral foi surpreendente. O cara não me torrou mais o saco e depois veio até querendo amizade (eu tava me lixando pra ele). De sobra ganhei meus 15 minutos de fama no primário (e me lixei pra isso também). Não existia o termo “bullying” ainda, mas era disso que se tratava. Eu tive sorte. Fui burro o suficiente para enfrentar a besta e saí ileso. Briguei muitas outras vezes, todas em defesa própria ou defesa de um bem meu (quando roubaram minha bicicleta e quando afanaram minha bola, recuperei-as... vamos dizer... no braço... porra, tem coisa mais mané do que roubar uma bola... todo mundo pronto pra jogar e o carinho roubou a bola... levou um ‘couro’), mas isso era coisa normal naquela era dos kichutes. Também tinha uma turma sacana no segundo grau, mas que não me afetava, pois eu tinha um amigo entre eles. Esse fisiologismo estratégico me salvou muitas vezes de enrascadas. O pior é que não foi proposital. É que não sou o tipo que sai fazendo inimigos por aí. Mas teve uma outra vez que me deparei com o “demo”... e é disso que eu queria falar: Era um cara que alguns anos antes havia, através da própria estupidez, me ensinado uma lição valiosa, a de que no mundo real as ‘regras’ de civilidade não valem nada, são transgredidas em troca de obtenção de vantagens. Aquele cara havia ganhado contra mim uma luta de judô, num campeonato interno em outro colégio, e em poucos segundos. Para isto, havia usado golpes proibidos para nossa faixa (etária e de judô), combinados anteriormente e de regra na época. O babaca sacaneou e o juiz entrou na dele. Nunca mais fui ingênuo num embate, qualquer que fosse e isso devo a esse babaca. Mas voltando ao bullying, o cara era muito mais velho que eu e voltei a encontrá-lo em outro colégio. Filho de figurão na cidade, vivia infernizando a vida de muita gente. Um dia eu fui dar uma mijada, banheiro deserto, eu desprevenido e o cara entrou naquele banheirinho, área de metro e meio que tem o vaso sanitário e fechou a porta. Com a maior cara de mau (ele não precisava fazer força nenhuma pra isso) foi falando que ia ‘aproveitar’ de mim, nesses termos. Porra, sempre fui um cara normal, jogo pro mesmo time onde nasci, etc, não jogo água fora da bacia, essas coisas. Eu não estava gostando daquilo, mas a situação tava ficando preta, era desesperadora. Ninguém me acudiria ali, naquele momento. A coisa dependia só de mim. O cara já havia provado que era mais forte (nas lutas tempos atrás) e estava com toda a vantagem. Estava entre mim e a porta. Eu estava acuado num dos cantos da privada e acho que balbuciava negativas estéreis. Vi que a coisa ia ficar preta (se é que me entendem) e eu não ia entregar o ouro sem luta. Então teve aquele momento... aquele momento que a adrenalina encharca a carne, os pêlos chegam a levantar a calça e a camisa, você se empertiga para a luta... sua mente emburrece e naquela hora você sabe que pode (ou pensa que pode) derrubar uma parede, pular um muro de quatro metros, etc... a cabeça fica clara (a burrice e a falta de sangue no cérebro fazem maravilhas) ... e alguma coisa mudou na minha cara, porque o safado se mandou. E foi bom pra ele, porque eu só ia parar de dar porrada quando ele (ou eu) tivesse virado um hambúrguer no chão. Eu me saí bem nesse e noutros casos porque tive uma certa sorte genética de parecer forte. Mas isso não é o que acontece com a maioria. A maioria leva pela vida afora os resultados desses anos submetidos a pressões de babacas doentes mentais e sociopatas como esses. Dou aulas há quase duas décadas. Já vi o que certos indivíduos conseguem fazer numa turma. Já vi o poder corrosivo e destrutivo dessas pessoas. Geralmente acabam com si mesmos... e no processo levam um monte de gente junto. A coisa fica mais confusa ainda porque hoje alguns entendidinhos (fraudinhas que com vinte e tantos anos têm uma pós-graduação e acham que são alguma merda) confundem o comportamento de um cara até brilhante com bullying. Os professores geralmente não estão preparados para sacar essas coisas. E nossos filhos estão lá... na selva.



Categoria: Boca no Mundo
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h13
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Lennon, Elvis e Alice

Conta a lenda que John Lennon teria dito que havia duas coisas que ele queria ainda da vida: “ter sido maior que Elvis Presley e ter escrito ‘Alice no País das Maravilhas’”. Mesmo quando eu era ainda um caipira lá no norte do Paraná (ainda sou caipira, mas não no Norte) a frase me parecia esquisita. Não tem como comparar Lennon e Elvis. Lennon foi um fenômeno Social, não musical (a música era uma desculpa). Para todos os efeitos, o Beatle que entendia mesmo de música era Paul McCartney (e se você não pensa assim,  é porque tem que aprender um pouco mais de música). Elvis foi o Rei em muitos sentidos: inventou as roupas-de-estrelas-do-rock; inaugurou os shows musicais via satélite; praticamente inventou o video-clip musical; mudou o comportamento não só de uma geração, mas da humanidade ocidental; fundiu a música ‘negra’ com a ‘branca’ e jamais o mundo foi o mesmo; inventou a dança sensual agressiva (não se pode negar que havia a dança sensual antes dele), inventou o moço-bom-que-pode-ser-mau, fez aqueles filminhos açucarados da seção da tarde (porque a porra daquele Coronel T. Parker achava melhor, mesmo sabendo que caras como John Huston o achavam um puta ator) na boa ...pô, precisa mais? Ele inventou, sedimentou o Rock, o velho, bom e avô de todos os rocks, o Rock’n Roll. Lennon tinha razão em querer ser como ele, Elvis foi um gigante além de seu alcance. Já querer ter sido como o matemático e reverendo anglicano Charles Lutwige Dodgson (pseudônimo, Lewis Carroll) sempre achei esquisito. Carrol escreveu ‘Alice no País das Maravilhas’ em 1862, para uma filha de um amigo seu, chamada Alice Liddell (irmã de Lorina e Edith, do famoso passeio de barco pelo Tâmisa). O cara era gago, meio surdo e tinha forte assimetria facial. E, apesar da grande timidez, inventou a literatura infantil ‘inteligente’, participativa e sem imposições moralistas, além de um tipo de narrativa baseada em jogos de palavras, lógica e raciocínio. Claro que o livro fica perfeito se você é um inglês culto do século IXX, mas ainda pode ser lido com pouca perda se você encontrar uma edição apropriada (o que é raro... dizem que Uchoa Leite é a melhor. Eu li a de Ana Machado em paralelo com o original em The complete Works, um tijolo de mais de 1000 páginas of Lewis Carrol, que ganhei de meu irmão Fábio). Para mim, é uma obra que perde mais de 20% quando traduzida.

Achei o livro fraquinho, mas posso estar sendo injusto, porque comparo com a do Mágico de Oz (brilhante para todas as idades). Não me ligo neste lance de criatividade e imaginação. Imaginação gratuita não tem nenhum valor, para mim. Não dou valor para isto porque acho normal. No meu meio, a maioria das pessoas são imaginativas e criativas e realmente estranho quando vejo provas de que isso não é uma coisa que todos têm. “Alice” foi na verdade uma revolução da forma de contar algo. O que as palavras escondem ou revelam é que é o lance do livro. “Alice” parece estar irremediavelmente calibrada para a infância e a pré-adolescência.  Uma criança (não dá pra dizer que pode ser lido por um adulto, como outras como Guliver ou o Mágico de Oz) pode se beneficiar muito, apreendendo a boa educação e a lógica básica e aprendendo a prestar atenção nas palavras mais do que na história. “Alice” ensina que palavras podem dizer muito mais do que aparentam. Esta foi a grande sacada de Carrol e isso de modo algum é pouca coisa. Mas ter sido eleito o melhor livro por Lennon é uma coisa esquisita prá caramba. Isso exorciza de mim o fantasma de Lennon e situa “Alice”. Posso voltar a ouvir meus Elvis da maneira antiga



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h40
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Donha e o dia do Cão

Em 4 de outubro de 2005, dia do Cão e do Poeta morreu a Madame Curie, vulgarmente conhecida por “Donha” (sabe, madame > Madonna > medonha > donha) ou “”, pelas minhas  filhas, uma vira-latas de primeira. Tinha algo entre 13 e 15 anos. Viveu bem. Muitos choraram sua morte e ela gostaria de ter visto isso. Tinha uns olhões saltados que sabia usar para enternecer os visitantes. Eu não caia nessa, mas não tinha quem não a ficasse alisando quando ela usava esse truque. Ela era a companheira de um grande amigo meu, o Einstein, que já foi há muito tempo pras doglands. Gosto de vira-latas. Eles parecem ser mais autênticos que aqueles fluffs feitos com cópulas agendadas. De qualquer forma, gosto do cão entre todos os outros animais. O cão é conhecido como amigo fiel do Homem (o único animal que pode ser páreo nesta área é o cavalo, mas não é genérico entre eles), mas geralmente as pessoas não param pra pensar no que isso quer dizer, em como ele conquistou esta fama. O cão é capaz de ter uma amizade ‘absolutamente’ fiel com seu ‘dono’. Um cão morre por você sem titubear... e morre feliz. Ele chora quando você chora e ri quando você ri. Se você nunca percebeu isso é porque nunca teve um cão (ou se teve, não o mereceu). Você já andou com seu cão  no mato? No escuro? No perigo? Numa praia? Numa estrada de chão abandonada? Se já, você sabe o que é ser companheiro. O que é poder confiar num wingman. Eu não era muito ligado na Donha, mas era no Einstein. A Donha sofreu uns dias antes de morrer. Não acredito no sobrenatural, mas tem coisas que a gente não consegue entender. No último momento ela, muito fraca, caminhou (meio se arrastando, a gente via que era um esforço enorme) até o gramado de casa e parou no exato lugar onde eu enterrara o Einstein há muitos anos atrás (será que ela lembrou depois de tanto tempo?). Ficou um tempo ali, esperando. Daí ela sentou e rolou de lado, suavemente, como se fosse dormir... e parou de respirar. Nessas horas eu gostaria muito de acreditar em coisas além da vida, que ela foi se encontrar com seu antigo companheiro, que estão correndo e ‘tomando todas’ nas doglands. Quem sabe? Mas vou aproveitar pra homenagear meus cães que estão por lá: a “Djudi”, vira-lata branquinha com uma mancha mais branquinha ainda na pata, com ela aprendi o que é o companheirismo; o “Doguinho” um vira-lata que nos adotou e que tinha uns ataques e perdia a memória e sumia uns tempos; o “Einstein”, que enfrentava patos, galinhas e outros bichos muitas vezes maiores que ele, só por curtição, amigão fiel pra qualquer situação, adorava ver jogos comigo, tinha epilepsia; e agora, a “Donha”.  Um viva aos cães e, em especial, aos vagabundos vira-latas.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 10h49
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