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Crash

 Eu tenho que falar sobre esse filme. Você tem que ver esse filme. No baiano clássico, na lata: é bom pra caralho! Veja! Eu idolatrava o “Grand Canyon” (1991, Lawrence Kasdan) como algo sem par. Agora ele tem. É Crash.



Categoria: Filmes e séries
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h00
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Amorquia, de André Carneiro, Parte I

Este vai dividido em dois e com poucos parágrafos, por conta do modo através do qual são contados os caracteres...

Quem não leu “Amorquia” (1991), de André Carneiro, fica avisado: Não leia o texto abaixo. Não leia MESMO. Não vou avisar de novo. Escrevi isto em janeiro de 2005. Não é uma crítica. Vou falar daquilo que gostei, ou não e daquilo que achei importante ou interessante neste romance que tem tudo para ser considerado seminal no futuro, menos o fato de ter nascido brasileiro.

No começo o leitor, como eu, pode estranhar e ficar chocado com algumas práticas sexuais. Particularmente no início, quando ainda não se sacou ao que o livro vem, um homem que se nega a fazer sexo com uma mulher se ela não deixar uma barba postiça é quase um motivo para largar o livro. Mas depois, nota-se que o sexo entre mãe e filho, entre adulto e criança et cetera fazem parte de um mecanismo criado para chamar o leitor à reflexão, para subverter o ponto de vista, para reconstruir uma base crítica (claro que no meio há várias passagens sexuais que são verdadeiras obras primas, em si). Daí em diante, muito do erotismo das descrições e situações dá lugar a uma sacada filosófica e sociológica sérias.

Eu não saberia descrever a técnica narrativa. É diferente de tudo que eu conheço. Não se mostra o mundo, não se prepara o leitor com cenários, paisagens, tecnologias ou qualquer outra coisa que a tradicional cartilha de escritores sugere. Tudo será difusamente compreendido através do comportamento dos personagens... Muitas vezes não se tem a certeza de ter entendido bem uma passagem, mas suponho que tenha sido intencional... e o resultado é excelente.

Na p48 há a frase: "A ciência não deve ter direções. Para trás pode ser um caminho tão bom como para frente". André é um dos poucos seres humanos que conheci que entendem Darwin como ele deve verdadeiramente ser entendido (ver ainda p116). E ainda é um dos poucos que conheço que entendem a ciência como ela deve ser entendida. Eu diria (e posso dizer isso, uma vez que vivo no mundo científico) que ele entende mais sobre ciência do que nove entre dez dos cientistas que conheço pessoalmente. Na p68 "A poeira tombando nos móveis como chuva" é uma visão de alguém que está num tempo lento e é capaz de ver o "mundo rápido" dos arredores... Além de poesia pura, é uma imagem forte e inesquecível. E lá está a formiga, a famosa formiga, na página 87, uma das assinaturas do autor. Na p94 "Fico na dúvida se o interesse de todos ou essa média geral serve mesmo para cada um." é misteriosa: Talvez o autor tenha percebido que somos tão diferentes um do outro que a média não é igual a ninguém. Se num mundo existissem, por exemplo, os seres 1,2,3,4,6,7,8,9, a média deles, que é 5, não seria igual a nenhum dos seres. André aborda a questão com poesia e filosofia... As implicações filosóficas disso são muito interessantes e nem um pouco rasas. Na p103 fala sobre a compreensão:

"-Não é preciso existir compreensão. Aliás, ela não existe.

-Como não existe? Eu sei quando compreendo ou não compreendo.

-Você pensa que sabe. O primitivo, quando ouvia o trovão, compreendia que os Deuses estavam zangados. Ele compreendia perfeitamente isso, como você agora."

Centenas de páginas de Descartes e Russel não têm a mesma efícácia. ou ainda:  "-Pergunte à minhoca sobre a lógica do mundo; pergunte a um peixe. O que este diria da minhoca que surge lá de cima enfiada em um anzol?" (p163) e na mesma página sintetiza o grande problema da epistemologia humana em "O problema é que não temos escalas comparativas, acima de nós." Frase esta, só comparável neste contexto, ao enigma ainda insolúvel: "Pode o cérebro desvendar-se a si mesmo?". Em seguida faz um tratado sobre o porquê de falarmos diferentemente do que pensamos. Na p164 há um discurso sincero de um personagem e os efeitos devastadores são brilhantemente estudados e, inacreditável! são revertidos numa passagem que poderia se tornar antológica se o assunto fosse: "Como tratar com mulheres" (num bom sentido, claro. Não sou ignorante nem burro o suficiente para acreditar na baboseira de que elas pensam como nós ou que sejam como nós. Nem o André. Aliás, ele trata com maestria essas diferenças, principalmente apontando as desvantagens masculinas). O diálogo da p164 é fantástico! É um tratado também sobre poesia, sobre o que são palavras e o que valem os significados (excelente!).



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h05
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Amorquia, de André Carneiro, Parte II

A poesia (para mim) fala do belo e do horrível, são pacotes de sentimentos que podem ser transmitidos e não precisam ser unívocos. Não precisam estar necessariamente na forma escrita (quem já viu um eclipse solar total, sabe que não), mas quando estão, ela se comporta como se segue:  "palavras são como caixas mágicas que parecem repletas de coisas, mas estão completamente vazias quando as abrimos (p157)"..."O pensamento é a fumaça da fogueira" (p165).... e "As palavras são como pás, elas podem sair vazias de uma cabeça e chegar cheias nas outras. (p164)"... André é um grande inventor, também... Inventou o jogo sexi-bo (hoje poderia dar uma grana um livro com as regras... pense nisso, André)... inventou o dia das nádegas (p130)... Fala de ressucitadores (p155)... viagens virtuais, temporais, máquinas de "experienciação".... Hipnose (p173). Aliás as "viagens" não são explicadas. Na p173, tem-se um breve relance de como são na prática, quando o viajante desaparece de um recinto sem chance nenhuma de ter podido sair do mesmo... Essa técnica dá corpo ao fato da história estar num futuro distante, distante o suficiente para que não entendamos sua tecnologia... Mas esse negócio de prever o futuro não tem a mínima importância. No final, o autor aproveita para exorcizar um pouco da repressão e torturas políticas do militarismo recente, ... sabemos que ele teve uma participação mais do que podemos chamar de ativa, na época. Ao longo de toda a obra, fica patente o preço que se deveria pagar para um mundo (de certa forma) utópico como aquele. O Homem é um tipo de escravo, desde escravo sexual até escravo pensante (escravo de uma lógica imposta visando o bom convívio)... Assim como no filme "A cor do dinheiro", onde o mundo está às avessas, brancos são negros e vice versa (e a força disso é gigante e faz com que vejamos coisas que não veríamos em outro “formato”), André faz uma crítica à real fragilidade masculina (como aquele faz do preconceito racial) e desconfio de que está entre os precursores disso (conheço alguns livros bons, atuais, que analisam o problema do homem atual, mas são mais recentes). O preço humanitário: Muitas das faculdades humanitárias do ser humano estão ausentes naquele mundo, justamente porque são cuidados como crianças.... a questão da morte que aparece em toda a obra poderia ser qualquer outra questão. Ao mesmo tempo o autor mostra uma fé na humanidade, no sentido de que sempre existirão aqueles que percebem, aqueles que vêem além do nariz... aqueles poucos que usam devidamente o espaço entre os parietais. As páginas 98-99 mostram um estupro às avessas, onde um Homem é estuprado por uma mulher, apesar de algumas pessoas com uma visão puramente mecanicista acharem que isso não seja possível. É. Genial! E o JC (Jesus, para os não íntimos) dando uma encoxada em Marta (aqui o autor fez uso do mesmo nome e fica interessante pensarmos que a coisa pode ter acontecido com a Marta bíblica) na p102? É uma delícia. Outro exemplo do arsenal do autor está na página 112. O narrador está descrevendo uma mulher: "A mulher tem a pele áspera, ombros arcados, seios caídos, ventre bem grande. Talvez esteja grávida"...Notaram? Ele deixou que o leitor decidisse. O estado não era absolutamente relevante, mas o pensamento sobre o estado, sim. Brilhante, não!? Na p184, a descrição de um choque elétrico é muito boa. Fico curioso em saber se não foi uma experiência realmente vivida pelo autor. Real demais! Em suma, a obra desce como líquido gelado pela nuca... Algumas frases te fazem fechar o livro e procurar uma poltrona para pensar um pouco. Coisas que você tem que pensar com urgência... coisas não percebidas durante uma vida... que devem ser ruminadas com urgência... Este é André Carneiro... ou um pequeno lampejo dele, pois assim como Whitman, ele encerra multidões.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h04
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