E daí, Lula?

Quem me conhece sabe muito bem o que eu penso sobre política. Mas isso não me dá o direito de me colocar à margem do processo e praticar aquele "foda-se" que eu realmente queria para tudo isso aí. A gente tem responsabilidades, deveres, por piores que possam nos parecer. Por isso, pergunto: E daí, Lula? Não estava fácil? Agora vai ter que encarar o segundo turno, vai ter que abandonar esse posicionamento fingido de campanha sem ataques, desculpa de araque para não precisar responder perguntas embaraçosas, vai ter que responder pelos escândalos, vai ter que responder por ter tantos amigos envolvidos em falcatruas (todo mundo tem um ou outro amigo que acaba fazendo besteiras, mas o senhor tem muitos..), vai ter que responder por que o patrimônio declarado (imaginem o não declarado) dos políticos petistas cresceu muito mais neste do que em outros governos, vai ter que responder o porque de ter tão pouco investimento nas áreas de saúde (e em alguns aspectos, na área da educação também) e principalmente por que o Brasil cresceu tão pouco em relação à média mundial. Tem um montão de perguntas que eu mesmo queria fazer. Agora haverá, felizmente, o segundo turno para isso.  Tem horas que eu quase volto a ter esperanças no povo brasileiro. Umas dessas horas é agora, quando o povo resolveu dar uma chance de vermos bem quem é o presidente Lula, deu mais tempo para todos perceberem o que foi que aconteceu durante esta gestão petista. Não morro de amores pelo "segundo lugar", meu voto sempre foi direcionado ás idéias de que a educação é, no final das contas, a solução. Todas as outras coisas devem vir "em volta"  dela. Por isso, sempre fui Brizolla, PDT. Votei no Cristovam (ex-PT), que tão elegantemente representou o brizolismo. Meu voto na eleição passada, segundo turno, não foi pro Lula, foi anti-Serra. Pelo menos, agora, temos tempo de mais pessoas entenderem o que está acontecendo (se bem que para muitas pessoas o termo "perda-total" seja um eufemismo)... Em resumo. Neste momento estou contente. A enganação não venceu tão facilmente como esperava e isso já é muito se considerarmos o eleitor médio. Aliás, se fosse só no sul, a eleição teria acabado no primeiro turno, e o presidente seria trocado. Consigo perfeitamente ver o que tantos homens de bem no passado estavam pensando quando lutaram pela idéia separatista. Se é que voces me entendem...