Meu Perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, UBERABA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Livros, Cinema e vídeo, Ciência, Astronomia



Histórico
 01/10/2015 a 31/10/2015
 01/11/2013 a 30/11/2013
 01/10/2013 a 31/10/2013
 01/09/2013 a 30/09/2013
 01/08/2013 a 31/08/2013
 01/07/2013 a 31/07/2013
 01/05/2013 a 31/05/2013
 01/03/2013 a 31/03/2013
 01/02/2013 a 28/02/2013
 01/11/2012 a 30/11/2012
 01/08/2012 a 31/08/2012
 01/07/2012 a 31/07/2012
 01/06/2012 a 30/06/2012
 01/02/2012 a 29/02/2012
 01/01/2012 a 31/01/2012
 01/09/2011 a 30/09/2011
 01/08/2011 a 31/08/2011
 01/07/2011 a 31/07/2011
 01/06/2011 a 30/06/2011
 01/02/2011 a 28/02/2011
 01/01/2011 a 31/01/2011
 01/11/2010 a 30/11/2010
 01/10/2010 a 31/10/2010
 01/09/2010 a 30/09/2010
 01/07/2010 a 31/07/2010
 01/05/2010 a 31/05/2010
 01/04/2010 a 30/04/2010
 01/03/2010 a 31/03/2010
 01/01/2010 a 31/01/2010
 01/12/2009 a 31/12/2009
 01/09/2009 a 30/09/2009
 01/08/2009 a 31/08/2009
 01/07/2009 a 31/07/2009
 01/06/2009 a 30/06/2009
 01/05/2009 a 31/05/2009
 01/03/2009 a 31/03/2009
 01/01/2009 a 31/01/2009
 01/12/2008 a 31/12/2008
 01/11/2008 a 30/11/2008
 01/10/2008 a 31/10/2008
 01/09/2008 a 30/09/2008
 01/08/2008 a 31/08/2008
 01/07/2008 a 31/07/2008
 01/06/2008 a 30/06/2008
 01/05/2008 a 31/05/2008
 01/04/2008 a 30/04/2008
 01/03/2008 a 31/03/2008
 01/02/2008 a 29/02/2008
 01/01/2008 a 31/01/2008
 01/12/2007 a 31/12/2007
 01/11/2007 a 30/11/2007
 01/10/2007 a 31/10/2007
 01/09/2007 a 30/09/2007
 01/08/2007 a 31/08/2007
 01/07/2007 a 31/07/2007
 01/06/2007 a 30/06/2007
 01/05/2007 a 31/05/2007
 01/04/2007 a 30/04/2007
 01/03/2007 a 31/03/2007
 01/02/2007 a 28/02/2007
 01/01/2007 a 31/01/2007
 01/12/2006 a 31/12/2006
 01/11/2006 a 30/11/2006
 01/10/2006 a 31/10/2006
 01/09/2006 a 30/09/2006
 01/08/2006 a 31/08/2006
 01/07/2006 a 31/07/2006
 01/06/2006 a 30/06/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006
 01/03/2006 a 31/03/2006
 01/02/2006 a 28/02/2006
 01/01/2006 a 31/01/2006
 01/12/2005 a 31/12/2005
 01/11/2005 a 30/11/2005
 01/10/2005 a 31/10/2005
 01/09/2005 a 30/09/2005
 01/08/2005 a 31/08/2005
 01/07/2005 a 31/07/2005
 01/06/2005 a 30/06/2005
 01/05/2005 a 31/05/2005
 01/04/2005 a 30/04/2005


Categorias
Todas as mensagens
 Boca no Mundo
 Ciência, Astronomia
 Poesia e Literatura
 Outras Artes
 Filmes e séries


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 BLOG DAELN-UTFPR
 Mário Bortolotto
 Micos, Gafes & Vexames
 Bacia das Almas - Paulo Purim
 Proibido Ler de Gravata
 Márcio Américo
 BLOG da Merie
 Angeli
 BLOG da Livraria Osório SEBO
 Leo Jaime, o BLOG
 Crônicas, vários autores
 Diário de uma Prostituta
 NonaArte HQ's
 Bertoldo Schneider, Site
 Engenheiras de Saia
 Poéticas Profecias
 Espelunca - Ademir Assunção
 Stocker - Stockadas
 Bestiário (POESIAS)
 Mustafá & A Confraria
 UOL-BLOG
 Thadeu, Polaco poeta
 Mônica Berger, Poeta
 Poesia Jornal
 Astrália-Marcos Prado-Tributo
 Blog do Eltom
 Blog do Machado


 
QuasarGhost, The BSJ WeB Log
 

NATAL

 Hoje minhas gêmeas de cinco anos montaram esta árvore. Estão anciosas pela chegada da data. Sonhos são importantes. Mais importantes do que a verdade. Vou deixar que elas mesmas descubram que Papai Noel morreu. Um pouco depois de Nietzsche descobrir que Deus estava morto.

Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 21h26
[ ] [ envie esta mensagem ]



Kerouac

Fomos no sábado à noite, eu, o Gustavo, meu mano Fábio, o Luis, Davi e Gazonni ver a peça "Kerouac" que o Mário Bortolotto apresentou no mini-auditório do Guaíra. Depois de um banho de história da geração perdida e uma puta duma atuação do Mário Bortolotto, fomos ao camarim cumprimentá-lo. Tinha mais de 25 anos que eu não o via e a primeira coisa que ele lembrou foi dos gols que cansei de levar do time dele, no campo do Colégio São José, em Apucarana City. Aqueles seminaristas jogavam todos os dias (isso ele me falou). Meu time era o Liverpool e eu jogava no gol na configuração A. Ganhamos de todos os times de Apucarana, de campo e de salão, exceto do time dos seminaristas de nosso próprio colégio. Até da polícia rodoviária e do exército ganhamos, mas da porra do time dos seminaristas, nunca. Tinha lá o Vieira de goleiro que fechava tudo e tinha o Mário, o Chico e um cara que não me lembro o nome que organizavam a coisa. Bons tempos! Depois do teatro, tirando meu irmão que foi cuidar do filho que está ainda se adaptando aos virus brasileiros, fomos para o bar do véio, como os meninos chamaram. Falamos mal de viados, comentamos os atributos de umas loiras e discutimos boa literatura. Coisa que meninos fazem nas mesas de bar. A cerveja estava boa, isto quando ela conseguia parar no meu copo, porque o Gazonni queria usar a minha para temperar suas batatas fritas. Foi uma boa noite.



Categoria: Outras Artes
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 09h43
[ ] [ envie esta mensagem ]



Che Paraná Porã

Fui na sexta à noite no lançamento do livro de Haicais do Sérgio Francisco Pichorim, o "Che Paraná Porã" (Aliás, o Bruno também foi, só que chegou tarde demais). Essas coisas de arte e cultura a gente tem que sempre incentivar. Gostei de ver como o povo sãojoseense (é isso mesmo?) levou a coisa. Foi prefeito, secretária da cultura (?), teve até M.C. A cerimônia aconteceu num prédio histórico da cidade onde funciona a biblioteca pública e até tive a aportunicdade de sorrateiramente folhear alguns livros que eu não via desde a minha infância. Quem me conheçe sabe que não sou ligado nessas coisas parnasianistas. Os versos alexandrinos, por exemplo, eram obras métricas e a maioria quase não falava de nada interessante (mas tinha suas exceções e tenho alguns guardados comigo). Acreditavam que a arte estava na forma. Bom, é um modo de ver. Prefiro arte em conteúdo, de modo que tenho esse preconceito com formas. Mas também não sou do tipo que leva meus próprios preconceitos a sério. O livro do Pichorim tinha tudo para me desagradar. Fala da natureza, enquanto prefiro outros temas, e tem um formato e um ritmo fixos. Pensei que a coisa era muito certinha para me agradar. Mas eu estava errado e como em muitas outras vezes, acho que vou ter que engolir o que eu nem tinha ainda falado. Primeiro, falar de natureza através de uma ferramenta tão limitada como o Haicai não é uma coisa tão fria como eu havia pensado. Sempre vai haver o que o autor sentiu. O Pichorim comete mesmo, em várias peças, o ato falho de falar dele mesmo, que é exatamente o que um poeta faz e deve fazer. E "segundo", a forma, depois que você se prepara para a coisa, tem até grandes vantagens. Outra coisa, Haicais têm muito a ver com a área de pesquisa do autor (que também faz ciência muito bem). Haicais precisam, para serem realmente apreciados, que o leitor tenha tido uma experiência parecida, eles precisam "ressonar" com o leitor. Dou um exemplo: em "Da casca do Cajá/ nasce uma cidadezinha/ Artesão em Olinda." É necessário saber do que ele está falando. Felizmente eu tenho em casa uma dessas cidadezinhas que são esculpidas em raízes, casca ou pedaços de cajazeiros ou cajueiros. Pude curtir a coisa. De outro modo, eu ficaria boiando no limbo. Outro, esse me pegou de surpresa. O Pichorim é petista e fez a maior homenagem (num haicai perfeito 5-7-5) ao que, para mim, foi o maior político de minha  época, o Brizola: "Dia de São João. Sobre o túmulo novo/ rosas vermelhas.".  Gostei pra caramba disso! A ressonância aqui é que é necessário que se saiba o que a rosa vermelha era para o Brizola, o que torna o trecho uma "mensagem multicamadas", coisa que dá elegância à poesia. Outro lance da ressonância: "Sol avermelhado. / Vêm caindo com a tarde/ cinzas de capim." É necessário mais do que ter visto fogo na mata ou o sol através da fumaça e restos carbonizados de vegetação... poesia "de verdade". E falando em poesia de verdade, tem essa aí: "Tarde de outono. /A velha casa de madeira/ já foi semente." Este link que se faz com o tempo das coisas dá corpo às idéias. Me lembrou os versos, um de meus preferidos, de Fagner/Belchior em Mucuripe: "calça nova de riscado, Paletó de linho branco, que até o mês passado, lá no campo, ´inda era flor". Em tempo, os haicais aqui reproduzidos não foram colocados em sua forma tradicional por causa do modo como o blog conta caracteres. Parabéns, Pichorim! Neste final de semana o autor está em São Paulo, lançando o livro por lá, durante um encontro de Haicai. O livro pode ser adquirido por 5,00 reais diretamente com o autor.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 08h44
[ ] [ envie esta mensagem ]



Navegar é preciso

Não sei porque cargas d´água acordei hoje lá pelas cinco horas da manhã. Quando vi que não voltaria a dormir, peguei um dos livros que sempre ficam ali pela cabeceira e li até umas seis e meia. Fui ver então um pouco de TV e vi uma reportagem muito boa sobre estabilidade de barcos, acho que no globo-ciência. O repórter terminou o programa com a frase: Afinal, navegar é preciso. Daí eu me lembrei duma coisa. Eu sempre quis dar uma porrada nos caras que ficam tecendo determinismos absolutos sobre passagens literárias. Dizendo que autor tal quis dizer isso e autor assado quis dizer aquilo. Tem aquela coisa de que quando o Fernando Pessoa escreveu: "Navegar é preciso, viver não é preciso", ele quis dizer que navegar é ´exato´ e viver, não. De onde é que tiraram isso? Nada na poesia dele indica isso (que, aliás, gosto muito, porque tem uma das passagens que mais gosto do Pessoa, i.e., "ainda que para isso tenha que ser ... a minha alma a lenha desse fogo"). A frase foi cunhada pelo general romano Pompeu (-106.. -48, AD) para incitar marujos maricas a sair pro mar, quando o mar significava o perigo na guerra. No original era "Navigare necesse, vivere non (est) necesse". Algo como "é necessário navegar, lutar, a guerra não será ganha se nos preocuparmos somente em viver". Claro que é bacaninha a leitura de que a vida não é uma coisa que se possa levar com precisão, é quase sempre um verdadeiro caos, em oposição ao fato de que navegar é uma ciência precisa, exata... mas porque é que boçais cuja panfletagem chega a beirar o sectarismo impõem visões de versão única. Parece até aquela coisa da idade média do "magister dixit", frase que queria dizer "mas o mestre disse"  e era usada para finalizar discussões, dando um áurea sagrada a um argumento, requerendo amparo em Aristóteles (o segundo maior cancro da humanidade) como se ele fosse a verdade final. Não seria mais produtivo ensinar que coisas podem ter várias leituras? Claro que não! Não se faz boi de manobra assim. Fica aqui o registro do desprezo que sempre tive por todos meus professores de português (exceto um, que com três horas de "reforço"  me fez entender mais do que em muitos anos), seres absolutamente ineptos no que faziam.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 06h17
[ ] [ envie esta mensagem ]



Grande André

O André Carneiro me ligou hoje para que eu confirmasse algo que havia dito sobre seu livro Amorquia (tem um post com o texto replicado neste  ano, neste  blog). Ele precisava porque estava juntando críticas sobre sua obra. Já li dele mais de meia dúzia de livros e tenho o privilégio de sua presença por algumas horas todos os meses. Ele é um cara muito generoso. Lúcido pra caramba. Sua idade é um segredo que todos os amigos guardam, uma brincadeira partif]cular. Acompanha as noitadas de pizza com vinho até o meio da madrugada. Grande cara o André! Quem quiser saber mais sobre ele, pode ler a excelente entrevista, feita por José Carlos Neves, em http://www.alanmooresenhordocaos.hpg.ig.com.br/entrevistas38.htm, onde, por acaso, ele me cita, fato pelo qual sou muito grato e orgulhoso. Tem lá a foto dele com o Arthur Clarke. Aliás, o André assistiu a estréia de 2001, uma odisséia no espaço, ao lado do próprio Clarke. Participou da organização, em 1969, do Symposium de Ficção Científica do qual participaram carinhas como Jerônymo Monteiro, Poul Anderson, Alfred Bester, Harlan Ellison, Philip J. Farmer, Harry Harrison, Robert Heinlein, Damon Knight, Frederick Pohl, Robert Sheckley, Van Vogt, Brian Aldiss, J. G. Ballard, isso pra citar só os que eu já li alguma coisa. O próprio Machado de Assis o elogiou. Recentemente saiu um Fac Simile de seu famoso jornal de Atibaia, sua cidade natal. Está fazendo um tremendo sucesso entre os sortudos que tiveram a sorte de ter um exemplar. Ele teve antologias junto com Guimarães Rosa, Drummond, Lessa, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, entre outros. É talvez o escritor de ficção extraordinária mais publicado no estrangeiro. É estudado em algumas universidades norte-americanas e já municiou um montão de teses acadêmicas (ele esteve presente na  minha defesa de doutorado, mesmo sabendo que não tinha nada de arte lá). Junto com ele e outros amigos (Musta, Mário, Xavier), participei de uma entrevista-documentário de uma guerrilheira, sua amiga dos tempos da perseguição militar, que foi muito instrutiva. Esse povinho do Brasil não tem a mínima idéia do que aconteceu naqueles tempos e chega a ser triste saber por estas pessoas como eram naquele tempo pessoas que hoje ocupam grandes cargos políticos no país (alguns já depostos por conta das tramóias comprovadas). Outro dia fiquei muito contente em saber que minha resenha sobre seu livro Amorquia estava sendo considerada de grande valia para uma tese acadêmica. Ele mesmo comentou que a literatura é uma das artes mais extraordinárias porque é impossível saber onde um texto pode parar, depois de solto no mundo. Voltando ao telefonema, lembrei-o que em meu site, na página dos top-five, ele figura entre meus poetas e escritores de ficção científica. Ele tem permissão (nem precisa pedir) pra usar isso como quiser e pra ser sincero, fico muito honrado em saber que ele considera isso importante o suficiente para figurar entre tantas outras opiniões de caras com muito mais "calibre" que eu. Falamos também do livro (do qual ele também participa) que está parado por nossa culpa, por um acaso, tema do blog de ontem. Grande André, acho o Amorquia um dos maiores livros de FC já escritos. Você deve se lembrar que eu não o conseguia ler. Como meu pai dizia, é como briga. A gente dá um boi pra não entrar, mas depois que tá dentro, dá uma boiada pra não sair.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 21h17
[ ] [ envie esta mensagem ]



Books e e-books

Quem escreve e quer publicar sabe como as coisas são atualmente. Ou você patrocina o próprio livro, coisa não interessante, porque isso sempre vem acompanhado de baixa distribuição, ou depende de uma editora ir com sua cara. Você pode ainda ter um agente, artigo caro e que não garante muita coisa (a não ser que você escreva como o Paulo Coelho ou faça livros de auto-ajuda). Tenho uns colegas que escrevem contos de vampiros e são considerados "grandes escritores" só porque têm muitos livros editados. É só ver o nome da editora pra saber que são livros cuja edição é paga pelo próprio autor. O impressionante é que isso tem dado certo, pelo menos pra eles. O mundo da ficção científica brasileira, que tem autores pra lá de excelentes, está sendo inundado por um monte de merda encadernada. É por isso que a FCB tem essa fama. Acho que não dá 5% os textos minimamente interessantes nessa área. Há um livro, do qual tenho uma significativa participação, pronto há mais de um ano (que pode ser encontrado no site http://www.mustafa.com.br/), que não consegue ser publicado (por uma série de problemas que envolvem principalmente os autores). Tenho contos que estão "travados" há anos, por contrato. Você assina um contrato para publicação e a publicação não sai. Resultado: você também não pode publicar por conta, pois tem o contrato... Muita gente se enche o saco e pára de escrever, porque a coisa é realmente imbecil. Outro dia li um livro de um amigo de minha mulher que parecia ser escrito por um retardado emocional que não tinha a mínima idéia do que significa gramática. Tenho recusado participar desses sites de e-books. Tem uns que dão boa visibilidade ao seu trabalho mas chegam a cobrar mais de 10 reais por mês para "publicar" lá. Prefiro pagar para imprimir e sair doando as cópias por aí. Também tenho recusado convites de grupos de grande sucesso em antologias temáticas. Até gosto dos caras e quase gosto do que fazem, mas essa coisa não faz meu tipo. Além do mais, não sou um escritor de carteirinha, não dependo disso pra viver ou pra ter uma vida emocional. Escrevo por prazer, quando e se eu quero. Alguns podem argumentar que isso não é um escritor de verdade. Tô bocejando pra eles. Mas é possível que eu esteja seguindo o mesmo caminho que fiz há décadas atrás, quando desisti daquela bobagem de fazer música. Não sei se era por falta de tradição musical (não era comum  a formação de bandas de garagem), mas eu sempre conseguia encaixar uma ou duas músicas minhas em qualquer festival que eu me inscrevesse. Era emocionalte chegar numa cidade na véspera da apresentação e sair procurando baterista, baixista, às vezes o vocal, mas sempre deu certo e o que eu mais sinto é que eu não lembro da maior parte das pessoas que já tocaram comigo. Depois de um montão desses festivais, teve um em Curitiba, com direito a orquestra pra acompanhar sua música (eu tive que fazer a partitura de todos os instrumentos. Foi quando aprendi fazer partitura pra bateria. Teve ginásio lotado e torcida (foi naquele ginásio no caminho pro DETRAN) e veio uns cantores famosos da época pra dar uma palhinha. Aconteceu que eu tinha duas músicas classificadas e uma delas já tinha ido pra final na primeira eliminatória. Era regra do jogo que todas as músicas que fossem pra final seriam gravadas num LP (é, faz tempo) do evento. Quer dizer que eu já tinha uma música pra ser gravada e outra chance de uma segunda, mas no segundo dia de eliminatória, só metade das músicas foram apresentadas e o festival foi dissipado de modo revoltante e quase violento porque a empresa que tinha organizado tinha sumido coma grana de todos (músicos e plátéia pagavam, fora insentivos estaduais). Isso e o fato de ter visto o Kiko Zambianchi (o da limusine negra), num festival de Rock no parque Barigui (no tempo de "Sonífera Ilha"), obrigado de maneira pouco digna a distribuir batatas fritas pra cumprir sei lá o quê com o patrocinador, me fizeram decidir empacotar a viola e me dedicar à academia.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h19
[ ] [ envie esta mensagem ]



Borges, Por Bráulio Tavares

Acabei de ler o “Contos fantásticos no labirinto de Borges”, organizado pelo escritor e músico Bráulio Tavares. O Bráulio Tavares é o dono da melhor definição sobre ficção científica que conheci: “A FC é toda ficção onde a ciência é uma das personagens.” Perfeito. Principalmente para mim, que não suporto essa mania de misturar horror e fantasia com FC. Voltando ao livro, no final ele fala um monte de coisas do Borges (aquele argentino do “Aleph”, Jorge Luis Borges) que a gente já sabia, mas o mais interessante é a antologia que ele preparou e os comentários que precedem cada um dos contos. São explicadas as relações de cada um deles com os trabalhos de Borges. Imperdível. Alguns contos são raros (caso do “o ovo de cristal  do Wells) e outros que, desconfio, já estavam fadados ao esquecimento, não fosse um livro desses. Conheci escritores dos quais jamais ouvira falar (se alguém conhece, que me perdoe a ignorância). É o caso de Ambrose Bierce com um conto de “um incidente na ponte de owl greek” e Eden Phillpotts com um conto pra lá de interessante, meu predileto do livro, o “o abacaxi de ferro”. Tem outros caras, como o Infante D. Juan Manuel, Stevenson, Hawthorne (com o excelente e originalíssimo "Wakefield"), Kafka, Poe, Bradbury e muitos outros. Recomendo.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 15h34
[ ] [ envie esta mensagem ]



Teatro Beatnik

Tem um cara em São Paulo que eu curto muito. Conheci-o (ou melhor, reconheci-o) há uns 3 anos. O que tenho pra falar dele é que é bom pra caralho no que escreve (romance, crítica/crônica, poesias e peças de teatro).  Se eu for confiar num montão de gente boa, ele é um puta dum ator, também. Atende por Mário Bortolotto. O cara é assombrado pelos demônios de Bukowski, Salinger, Kerouac, Ginsberg Burroughs e pra qualquer um que goste dessa turma, as peças que serão apresentadas no mini-auditório do teatro Guaíra (audit. G. Flores) são imperdíveis. Estão ilustradas abaixo. Não deixem pra ver o Bortolotto no festival de Teatro de Curitiba, nunca rolou. A peça "Homens, Santos e Desertores" eu já li, em "12 Peças de M. Bortolotto", editado pela Atrito Art, e é excelente. Fui dar uma olhada no texto e estava com uma nota 5 (costume meu pra marcar o que já li). Minhar maior nota é 5+ e é rara. Não que eu seja um bom juiz ou que alguém precise disso, mas é lá um critério. "Kerouac", dizem, é fudidassa. Derruba Jacaré. É possível que faça o Rubão chorar. São textos "fora da curva", como suponho que seja o caso da maioria que passeia por aqui.

Tem outra coisa sobre o Mário. Estudei com ele e mais de cem outros caras o segundo grau "científico". Ele foi seminarista e jogou para o time de futebol de campo do seminário do Colégio São José, o único time do qual o meu time, o "Liverpool", jamais conseguiu ganhar. Tenho uma medalha de campeão do campeonato em que ambos participamos. Fomos campeões mas não ganhamos deles. Tenho uma vaga lembrança de um quebra-pau que fez com que a final fosse suspensa num resultado de empate, que nos dava o título. Tenho certeza que a briga começou com os seminaristas. É bem possível que o Mário já estivesse botando pra quebrar o seu "foda-se" naquela época. Tinha também um goleiro deles, o Vieira, que era foda. Qualquer dia conto sobre ele. Não percam as peças abaixo:

 

Datas das peças do Bortolotto
Mini-auditório do Guaíra
Dia         Peça                                     Horário     Preço

16/11     Homens, Santos e Desertores       21h       20,00
17/11     Homens, Santos e Desertores       21h       20,00
18/11     Homens, Santos e Desertores       21h       20,00
19/11     Homens, Santos e Desertores       20h       20,00

23/11     Kerouac                                    21h       20,00
24/11     Kerouac                                    21h       20,00
25/11     Kerouac                                    21h       20,00
26/11     Kerouac                                    20h       20,00



Categoria: Outras Artes
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 20h20
[ ] [ envie esta mensagem ]



Coisa de meninos

No sábado eu estava voltando sozinho da casa do meu irmão, Fábio. Tinha tomado umas lá, por conta do batizado do meu sobrinho, o Bernardo. Já estava na avenida das torres, perto de casa, um amontoado de carros. De repente, por nada, o carro de trás acendeu os faróis alto, fritando tudo pela frente, isto é, eu. Porra, tava todo mundo parado num sinaleiro, fila do meio. Não tinha o que o cara invocar. Mas invocou. Andamos e os carros foram saindo de volta, se espalhando e nada do cara ultrapassar ou ficar pra trás. Eu estava com meu carro velho, o Uno 1.0 de mais de dez anos. Como a tecnologia é velha, ele tem mais arrancada que a maioria dos carros abaixo de 1.5, pois não tem daqueles limitadores de injeção. Mesmo assim, não deu pra fugir nem pra deixar o cara passar. Ele queria mesmo era encher o saco. Não demorou e funcionou. Dei uma freada pra ver se o cara se tocava e saia de trás. Ele saiu. Foi pro meu lado, manobrando de forma francamente agressiva. Baixei a velocidade pra falar com ele. Era a única coisa a fazer ali (eu podia tentar apostar corrida ou partir pra briga, ambas coisas de meninos retardados, mas que todo cara já experimentou. Existe o diabo da burrice xy que corre em nossas veias). A coisa foi tão besta que num instante, sem eu perceber, todos os carros sumiram de perto. Ficaram pra trás para apreciar a tragédia sem perigo. Encarei a coisa com educação. Nós ali, andando devagar e conversando pela janela. Ele do lado direito do meu carro fazendo sinal de "o que é que foi?!". Conversando é modo de falar. Eu gritava e o cara não entendia nada. Estava possesso e quando finalmente entendeu que eu estava dando uma de tonto, apenas falando que "queria avisá-lo de que seu farol estava muito alto e estava me incomodando", deu uma risada e ficou pra trás. No próximo sinaleiro eu tive que parar pra não ser fotografado pelo pardal. Não ia pagar mais uma multa por causa daquela cabeça de pau. O cara parou do lado. Pensei: "Fodeu!". O cara era um guarda-roupas, como eu. Daí rolou da parte dele: "cara.... sabe.... isso é babaquice... eu sou um babaca..." Eu só abanei a cabeça pra que ele notasse que eu estava escutando. Não queria que pensasse que eu estava concordando, pra não piorar as coisas. E continuou: "Eu estava com o farol .... pra..." O cara tava nervoso ou bêbado. Acho que nervoso... tive que lhe lembrar a palavra alto " farol alto era pra... era pra sacanear mesmo...  isso é pura babaquice....sabe?...  me desculpe". Pedi desculpas também, mesmo sabendo que não tinha feito nada para o cara e zarpamos, cada um para seu lado. Acho que aquele cara nunca tinha feito isso. O que será que aconteceu? Acho que ele estava a fim de arranjar encrenca... uma briga. Acabou arranjando... e saiu vencedor dela, sem um arranhão.



Categoria: Boca no Mundo
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h53
[ ] [ envie esta mensagem ]



Tiro na vidraça

Sempre sonho,

no banho,

em ver um tiro

entrando pela janela.

O estranhamento de ver

o buraco redondo

aparecer de repente

e daí uma sensação molhada.

Depois a dor, a inconsciência

e mais nada.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 20h54
[ ] [ envie esta mensagem ]



Trânsito de Mercúrio

 

Os trânsitos de Mercúrio, quando o planeta passa exatamente na frente do Sol, cruzando seu disco, não são tão frequentes como se poderia esperar do planeta mais próximo do Sol. Acontecem, de fato, a cada 7,5 anos, aproximadamente, devido à diferença entre os planos orbitais (Terra-Mercúrio). Se estivessem no mesmo plano, veríamos o trânsito quatro ou cinco vezes or ano. A última vez foi em 7/mai/2003 [quando fotografei com uma 400mm, apoiado numa janela, logo que o Sol raiou. Foto no meu site, página de Astronomia). Este trânsito da foto foi o de ontem, 8/11/2006, final da tarde, acompanhado por vários alunos e professores através do CELESTRON C8. O próximo trânsito será em 9/mai/2016. Como o Elton lembrou, esta pode ser considerada uma atividade do Clube. Isso quer dizer que o CAUTEC (Clube de Astronomia da Universidade Tecnológica Federal do PR) ainda está ativo e operante. Agradeço ao Elton por lembrar e aos rapazes Jesus, Pato, Gustavo e Vinicius pela ajuda braçal. Quem quiser saber mais sobre o dia de hoje, visite o blog Micos, Gafes e Vexames "linkado"  ao lado.



Categoria: Ciência, Astronomia
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h35
[ ] [ envie esta mensagem ]



Abacate com Toddy

Ouvir Ma Yancey de madrugada,

sozinho no escuro

um 38 velho, carregado

no bolso da calça

 

Quando todo mundo

pra quem você já ligou

está morto

ou mudado

 

Cantar Kiara Sasso pras minhas filhas

os olhinhos brilhando nos acordes

do velho Giannini

 

Meu pai me levando pra praça

da Igreja

comemorando 70

... meu primeiro buscapé

um fogo que corria no chão

tão bem quanto pro céu.

 

O grito nem sai da garganta

Não sei contar quantos punhados de terra

joguei sobre amigos

 

Um quadro de repente te agarra

numa galeria em Munique

e você vive dez vidas inteiras

em dez segundos de Kandinsky.

 

E daí vem o Salinger

querendo saber pra onde vão os patos

do Central Park

quando tudo congela.

 

E depois vem ela

que amei a vida toda

e nem sei se valeu a pena

 

A vida é uma mistura

sem graça

como uma criança morta

uma porta para o nada.

 

Uma vomitiva iguaria

um fedor que implode

Uma taça fria e pustulenta

de abacate com toddy. 



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h31
[ ] [ envie esta mensagem ]



menino na chuva

Levava o carro pela estrada havia horas... o rock martelando as têmporas contra o fundo torrencial da chuva lá fora. Na curva de uma cidade qualquer, um menino, só de calção, descia o acostamento num carrinho de rolimã... gargalhava numa alegria de espantar demônios... peito aberto para toneladas de água. Abri a janela e desci com ele, gritando... alegria que só se tem quando menino, descendo uma ladeira, com chuva, sozinho.

Preciso tomar chuva. Preciso sangrar os dedos em cordas de aço nos clichês de "Memphis, Tennesse", sozinho, na chuva. Preciso caminhar cedo numa praia deserta, ver um outro eclipse e te reencontrar um dia, dentro de um saco de dormir, contando meteoros.

Preciso saber se ainda rola ou se troco meus livros de lugar.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h11
[ ] [ envie esta mensagem ]



Avante e além...

Sigo o caminho no escuro

quase sem vontade...

apenas sigo.

Não busco explicações fáceis

Não me importa

a finalidade das coisas,

a quem ou ao quê

se destinam.

No fim são só meus pés

com tênis surrados

chutando latas.



Categoria: Poesia e Literatura
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h06
[ ] [ envie esta mensagem ]



Monita Secreta

Tenho a não tão saudável mania de ler muitos livros de uma vez. Não que eu goste disso, mas não se pode ler qualquer assunto em qualquer hora ou lugar. Por isso eu geralmente tenho um tipo de livro para cada hora, lugar ou estado anímico. O resultado é que o tempo de leitura de cada livro sempre é grande. Por exemplo, se o livro é de filosofia, não dá pra ler antes de dormir. Durante o almoço, eu consigo ler qualquer coisa e a despeito do que muita gente possa pensar, eu gosto de ler sozinho no almoço. Aceito companhia de alguém que queira conversar, mas acho insuportável ficar com alguém que senta ali só porque acha que estou “sozinho”. Mas, vá lá... Por esses dias, um dos livros que estou lendo é o “Etimologias e Expressões Pitorescas”. O porquê de estar lendo um livro tão inútil eu vou deixar pra lá. O que importa é que encontrei num ponto do mesmo algo interessante sobre a Monita Secreta, uma suposta legislação secreta dos Jesuítas que teria sido inspirada por um tal Cláudio Acquativa (1542-1615). Como o autor do livro tem o mesmo sobrenome esquisito (Marcos Cláudio Acquativa) eu resolvi dar pelo menos o benefício da dúvida. Encontrei uma cópia em francês em http://conspiration.cc/sujets/religion/jesuite01.htm. De qualquer forma, o documento existe, indubitavelmente. O manuscrito em latim foi encontrado entre os alfarrábios do padre Brothier, supostamente o último bibliotecário da Companhia de Jesus, em Paris, antes da revolução. As referências mais conhecidas são a edição de Paderborn, de 1661, e o manuscrito Secreta Monitae, ou Advis Secrets de la Societé de Jésus, com autenticidade confirmada, guardado no Palácio da Justiça de Bruxelas. O que se contesta (e a companhia está certa neste ponto, pois o documento é constrangedor) é sua “ligação” com os Jesuítas. Sempre considerei esta ordem um mal para o mundo. Sua diretiva básica era enviar mensageiros para o mundo “não civilizado” para “impor” a cultura-crença religiosa “eurocêntrica”. Com isso, um número incalculável de culturas (e também conhecimento) foi parar na lata de lixo da história. O processo era altamente virulento. Um único Jesuíta podia ferrar com séculos da cultura de vários lugares (os espanhóis foram muito piores). Mas vamos para os trechos do documento e vocês terão uma idéia do calibre dos caras. O cap. II, Parágrafo 1, fala “de que modo os padres da sociedade poderão adquirir e conservar familiaridade com os príncipes...”; na parágrafo 7, “como captar a simpatia das princesas através de suas aias e criadas e como saber, através destas, dos negócios secretos de cada família...”; o cap. III fala de como se pode usar os poderosos para o benefício próprio: “ É preciso também servir-se dessas personagens para abrandar a gentalha e o populacho, contrários a nossa sociedade.” (sic); na parágrafo 7 deste, tem “a fim de que o governo dessas igrejas nos pertença e que os fregueses estejam submetidos à sociedade, que obterá deles quanto puder.” O cap. VI trata nada menos de “Maneira de conquistar viúvas” e o VIII, “como convém entreter as viúvas e dispor dos bens que elas possuem”. No parágrafo 1 deste, fala-se do que se deve fazer para o irmão que pretende deixar a sociedade, do dossiê que dele se tira para garantir seu silêncio.

  É importante registrar que não tenho nada especialmente contra a Companhia de Jesus, tenho é contra todo e qualquer sectarismo. Se há ajuntamento e não é para diversão ou sobrevivência, sou contra. Mas os caras fizeram coisas boas também, como disseminar tecnologia, arquitetura, conhecimento médico, etc. Mas eu tenho minhas dúvidas sobre o que eu faria se encontrasse um deles no meio do mato, alguns séculos atrás.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 09h33
[ ] [ envie esta mensagem ]



Os Tiros vêm do Paraíso

A Luana Vignon é uma poeta de Londrina. Pesquei isso de seu Blog, indicado ao lado em "estultífera" ou abaixo deste post. Vale a pena visitar.

 

Tudo  muito quieto de repente não é um bom sinal. Paraíso é aquilo que a gente sente antes da bomba explodir. O Paraíso é ontem, e os tiros vêm de lá, pelas costas, enquanto alguns andam na contramão. Todo mundo carrega um pouco do inferno dentro de si,  Rimbaud carregou o seu, Carlos Zago também, anonimamente. A gente não precisa descer as escadas pra sentar do lado do diabo. Os Tiros vêm do Paraíso. A paz é só uma guerra fria acontecendo na sala de estar; é o bolo de casamento despedaçado, os balões estourados no fim da festa de aniversário, é a carcaça vazia do porco após a ceia de Natal. Quando eu era criança não via a hora de crescer e carregar o meu próprio inferno, cansei de carregar os demônios dos outros, sua paz e paraísos artificiais. Sempre fui enganada com essa história de paraíso, os tiros vêm de lá e te acertam em cheio na cabeça se você não se ligar que a felicidade ta em outro lugar. Olho pra rua e vejo dezenas de pessoas açoitadas por seus próprios sonhos, a casa própria, o carro, o marido fiel, o filho, a esposa dedicada, o cachorro amestrado. Eu não sei pra onde eu to indo, só sei que to fugindo desse lugar, e mesmo assim, vezemquando, alguns tiros acertam de raspão.  [de Luana Vignon, 27 de out 2006, em http://entumecido.zip.net/index.html]




Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 11h21
[ ] [ envie esta mensagem ]



Dia dos Mortos

Mesmo que a gente tente evitar, sempre acabamos pensando em alguém que se foi, neste dia. Quanto mais o tempo passa, mais sinto falta de meu pai. Meu pai era um tipo de cara com uma sabedoria sossegada. Era preciso levar muito tempo pra perceber o cara que era. O que ele ensinava não era passado com palavras. Trabalhei com ele desde menino até quase o final de minha graduação. Eu trabalhava nos feriados e férias, porque estudava a quase quatrocentos quilômetros de casa. Meu pai era cerealista, comerciante de cereais. Quando a gente cometia a estupidez de falar que aquela não era uma boa profissão (eu recusei, várias vezes, várias propostas de ficar no interior trabalhando com isso. Eu dizia que eu queria ser engenheiro, fazer coisas, não vender coisas) ele dizia que qualquer pessoa podia ficar sem casa, sem carro, sem dinheiro, mas ninguém podia ficar sem comida. Essa era uma coisa sagrada pra ele, gerar e fazer circular o alimento. Lembro-me que ele teve nas mãos o negócio de fabricar feijão enlatado numa época que isso não existia por aqui. Acabou perdendo o terreno e infraestrutura que eram incentivo da prefeitura simplesmente porque eu não queria vender coisas. Acho que ficou desapontado com os filhos que não quiseram continuar seu negócio, mas sei que tinha um orgulhozinho do caminho que trilhávamos. Ensinou-nos justiça, honestidade e ética, sem nunca dizer uma única palavra sobre isso. Ensinou-nos que um Homem deve ganhar seu pão e fazer aquilo que acha certo. Sempre me fez acreditar que eu estava merecendo o que ele gastava com meus estudos (ele nunca deu ordenado por nosso trabalho, mas sustentou como pôde meus estudos e me deu uma combi velha, meu primeiro carro. Por meus préstimos, ele disse. Eu sabia que era pra tornar minha vida melhor. Quando eu fazia engenharia, minha "mesada"  era dada em fardos de feijão e arroz. Eu tinha que vender para pagar o aluguel da república e a comida. A comida era legal, pão com pomarola e miojo aos domingos. Teve umas épocas melhores, mas a gente tinha que gardar grana para as invariáveis saídas aos sábados. Alguém tinha que pagar a bebida. Hoje, mais velho, vou entendendo cada vez mais o porque dele ter feito certas coisas. Vou entendendo algumas respostas que não me fizeram sentido na época e cada vez o admiro mais. Cada vez vejo mais dele em mim. Ele também é o tipo de cara que só os caras sacam. Duvido que minhas irmãs e mesmo minha mãe o tivessem conhecido dessa maneira. As amostras que tinham dele eram sempre contaminadas por elas mesmas. Nós, eu e meus dois irmãos, o víamos como era de verdade, enfrentando a vida. No final, ele tratava de assuntos de seu pós-morte comigo, porque sabia que eu entendia essa coisa de que uma hora a gente tem que partir desse mundo, que uma hora a gente tem que falar sério sobre isso com outrem. Pior coisa que deve ter é a gente querer organizar essa parte e a outra pessoa ficar dizendo "que é isso, você vai enterrar a gente..."  e coisas desse tipo. Quando ele morreu eu saí procurando qualquer conta que tivesse esquecido de saldar. Sempre que eu chegava num lugar o cara dizia "ele já pagou semana passada", "grande cara o seu velho!". Às vezes até entregavam uma coisa que ele ainda não tinha ido buscar, mas sempre estava pago. Como sei que ele sempre pagou somente depois do serviço, sei que ele esperava a morte. Sei como é solitário carregar certas certezas que não se pode dividir com ninguém, mas ele era desse tipo de gigante. Essas coisas, ele tirava de letra. Foi um grande cara. Pai, foi um privilégio viver ao seu lado. Foi um privilégio também viver tanto tempo longe, porque eu sabia que sempre que quisesse ou precisasse você ia estar lá, com aquele contentamento naquele rosto de barba por fazer. Mesmo hoje, mais de dois anos depois, eu te sinto ao meu lado. Só choro às vezes, porque não poder ouvir tua voz dói um pouco. E às vezes, como agora, dói pra caralho.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 14h34
[ ] [ envie esta mensagem ]



Novo Blog no ar

Estou dando conta aqui de que um novo e interessante BLOG foi inaugurado: é o Micos, Gafes e Vexames, dedicado a documentar situações ridículas que acontecem na vida acadêmica. O link está logo abaixo. Vida longa e próspera pra ele.

http://micosgafesvexames.zip.net/



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h52
[ ] [ envie esta mensagem ]



Que dureza!

Pois é... vamos ter que aguentar mais uma gestão do cara. E do partido. O cara que levou todo mundo só na malandragem do discurso. Estou acostumado a ver isso, pessoas sendo convencidas pelo melhor orador. Essa idiotice é muito antiga. A própria arte da oratória está entre as primeiras coisas a serem ensinadas em escolas. Pessoas imbecis se encantam pelo bem falar, não são capazes de entenderem as idéias, o jogo de encantamento que rola nos discursos. Pessoas imbecis não fazem conta e assim podem acreditar nos milhares de empregos por dia e também não cruzam informações. Aquela coisa de que a mentira dita várias vezes vira verdade foi feita para os imbecis. Assim como as teorias de conspiração. É um milagre que a humanidade tenha chegado até o ponto em que está? Acho que não. O motivo é que em todas as eras existiram caras com culhões suficientes para não deixarem os imbecis fazerem o que pensavam ser o certo. Esses trechos da História são quase sempre contados pelos imbecis, de modo que os caras com culhões ficam conhecidos como caras horríveis, desumanos. É até capaz que algum imbecil pense que este é um discurso nazista. O que é que eu posso dizer prum cara desses? Dizer que não é vai adiantar? Explicar vai ser pior ainda. Não estou ligando pra esses caras. Mas reconheço. O poder numérico está nas mãos deles. E quando a imbecilidade fica ratificada pela maioria, chamam-na de democracia. Acho que a aristocracia por mérito acabaria com isso. Mas não tenho como provar. Sou uma débil fração da absoluta minoria.

 

 

 



Categoria: Boca no Mundo
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 17h40
[ ] [ envie esta mensagem ]




[ ver mensagens anteriores ]