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Numb3rs

Volta e meia eu fico muitos dias sem blogar. É que tenho estado meio sacudo, psicológica e fisicamente cansado e com raiva de certos profissionais que fazem merda, vendem merda, e a gente é que tem que perder tempo pra acertar as coisas. Os profissionais ligados a óculos, por exemplo, estão vendendo lixo óptico por preço de diamante. Uma grande parte da população que usa óculos está sofrendo, sem saber ou poder fazer nada contra, por conta da péssima qualidade das lentes de hoje. Ma não é isso que eu ia falar. Detalho isto noutro post, quando o lance estiver terminado. Quero falar de Numb3rs hoje. Comecei a ver a série recentemente. Aqui no Brasil ela é pouco apreciada por ser, penso, uma séria sobre metemática. Os “mocinhos” usam matemática para resolver casos policiais. Obviamente existe muito cosmético cenográfico, mas as metodologias e teorias abordadas são de alta qualidade. É muito bom saber que uma séira dessas já tem 4 temporadas e a insucesso relativo desta em relação a outras séries americanas no Brasil aponta para o que todo mundo já sabe. O Brasil atual é retardado na matemática (mesmo que historicamente tenhamos um dos institutos mais respeitados no mundo). Recomendo. Outro ponto muito forte do seriado é a crítica ao sistema científico no mundo, que está perfeita. Ver Numb3rs é, para mim, como ouvir Elvis. Te faz esquecer a vida vira-lata, te amansa e faz você dirigir na pista da direita.



Categoria: Outras Artes
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 14h29
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Biblioteca encantada

Estou reformando e reformulando algumas coisas em casa. Hoje eu demontei metade de minha biblioteca. Espalhei os mais de mil livros pelos outros cômodos e notei uma coisa que para mim é muito estranha. Não achei nem uma única aranha, nem qualquer outro inseto. Não esperava baratas porque aqui não tem (por sorte), mas as terríveis Loxosceles marrons, endêmicas aqui em Curita, eu esperava. O que será que tem meus livros para que isto acontecesse? Ganhei um respeito ainda maior do que eu tinha por eles. Um respeito diferente. A gente sempre acha que conhece os amigos...



Categoria: Boca no Mundo
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 01h59
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Garimpo de sonhos

 A Gra é uma doutoranda da UTFPR cujo hobby é roubar bolos de festas acadêmicas e comê-los dançando na chuva. Ela colabora com o Blog "Engenheiras de Saia" que acho ótimo e está linkado aí do lado. Não tenho o costume de ficar lendo Blogs, mas de vez em quando, como hoje, uma madrugada em que o sono tá de férias, passeio pelos meus favoritos. Achei esse texto aí embaixo, da Gra, que me fez lembrar de Nietzsche: "O homem artístico é a extensão do homem científico.". Leiam e depois me digam se não é mesmo.

Não, você não precisa ter o abdômen do mocinho da novela, afinal eu adoro meus peitos naturais que se mexem de leve quando eu corro e desaparecem um pouco quando eu emagreço demais. Acho até que posso ficar com sua barriga pra sempre, mas já faz tempo que não acompanho nem uma semana seguida de qualquer novela. Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas. Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar. Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegue o celular, não pegue a internet, não pegue a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegue muito. Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho na vitrola e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco? Eu procuro você desde o dia em que nasci, não, eu não dependo de você nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado. Só que estamos com um problema: vai ser um pouco difícil a gente se conhecer porque tenho evitado sair de casa. Eu não odeio mais as garotas em série e seus namorados em série, eu não odeio mais a sensação de que o mundo está perdido e as pessoas lutam todos os dias para se parecerem ainda mais com o perdido ao lado, se perdendo ainda mais. Eu não odeio mais quem cuida do corpo mas esquece da alma, quem cuida do cabelo mas esquece da mente, quem cuida da superfície mas faz eco por dentro, quem coloca um peito de silicone mas esquece de dar mais uma chance ao amor. Eu não odeio mais a galera feliz em pertencer a um mesmo barco que não vai a lugar nenhum. Eu só acho isso tudo muito triste e prefiro não ver. Eu prefiro não fazer parte da feira que compete pra ver quem tem a casca mais bonita. Voando eu sei que você não vem, até porque eu jamais namoraria um super-homem: tenho horror a pessoas falsamente infalíveis. Não quero um homem que sempre vence, que sempre impressiona, que sempre salva e sorri impecável em dentes brancos e músculos ressaltados por um colan com as cores da bandeira americana. Você pode ter medo de monstrinhos imaginários e dormir com a porta trancada, pode ficar meio tristinho quando, numa festa cheia de amigos, lembrar que é sozinho no mundo, pode perguntar assustado no meio da noite “aonde você vai” mesmo sabendo que é só um xixi, pode até fazer piada com o seu medo de estar vivo, e pode, inclusive, ficar sério e quieto, de repente, por causa disso também. Não existe Orkut, não existe Messenger, não existe celular, não existe um supercelular que é máquina fotográfica, Orkut e Messenger ao mesmo tempo. Não existe o décimo quarto andar do meu prédio com 8 seguranças lá embaixo. Não existe a balada perfeita com 456 garotas iguais e programadas para te dar um amor levemente inexistente. Não existe esperar que a vida fique mais compacta, mais veloz, mais completa e mais fácil, assim como o computador. Existe essa coisa simples, antiga e quase esquecida pela possibilidade infinita de se distrair com as mentiras modernas do mundo. Existe o amor, mas onde ele foi parar depois de tudo isso? Eu não tenho um portão para te esperar, como minha avó um dia esperou pelo meu avô e eles ficaram juntos por 70 anos. Talvez eu também seja engolida por esse mundo que cria tantas facilidades para a gente não sofrer. Tenho medo de que tudo seja uma mentira e de verdade sinto que é, mas ainda acordo feliz todos os dias esperando que ao menos você seja verdade.



Categoria: Boca no Mundo
Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 03h11
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