Há 10 anos, dois grupos (o de S. Perlmutter e o de B. Schmidt) descobriram, independentemente, através do estudo das explosões de supernovas do tipo Ia (que têm um padrão extraordinariamente “bem comportado” e previsível), que além de o Universo estar se expandindo (como descobriu Hubble, em 1929), ele o está fazendo de forma acelerada. Há alguma força distendendo o espaço. A constatação de um fato, em ciência, nem sempre vem acompanhada da explicação do mesmo. De fato, até hoje não se sabe o porquê disso. Dois anos depois daquela descoberta, observações da radiação cósmica de fundo comprovaram que o Universo era muito mais “cartesiano” do que se supunha (SAB, junho de 2008, p29), demonstrando que sofreu uma expansão inicial exponencial, conhecida por expansão inflacionária. Do conjunto destes dados, pôde-se determinar que, se tudo estiver correto, 72% do Universo é composto de energia escura, que não sofre nenhuma interferência da gravidade, 23% é matéria escura de um tipo ainda desconhecido, mas capaz de sofrer influência da gravidade, e o resto, míseros 5%, é composto por matéria bariônica, ou seja, toda a matéria que conhecemos hoje (prótons, nêutrons e elétrons). Esse era o recado que a natureza tinha a nos dar: “vocês ainda não sabem nada!” Essa foi a deixa para retomarem projetos antigos e vestirem de seriedade coisas antes desacreditadas. Por todo o mundo existem buscas por branas, energia do vácuo, comportamento anormal do continuum, grávitons, multidimensionalidade e outras coisas ainda mais estranhas. É bem possível que a lei de Clarke esteja agindo aqui (algo suficientemente muito mais avançado do que nosso atual nível de conhecimento é indistinguível da mágica). Até mesmo a famosa constante de Einstein (que ele teria dito em vida ter sido seu maior erro) foi revisada. Isso talvez queira dizer que o possível maior erro de Einstein pode ter sido sua mais impressionante predição teórica. Com a análise dos mais de 200 planetas extra solares descobertos até agora, foi possível percebermos que não sabemos quase nada sobre a formação planetária (não há um único sistema igual a outro). A diversidade é extraordinariamente grande lá fora. É impossível não se maravilhar diante de tais fatos e desafios. Este é um jogo que nascemos para jogar e, apesar do que querem nos fazer crer alguns ditadorezinhos que existem por aí, o Homo sapiens acaba, na média, com uma “derivada positiva”. Isso acontece simplesmente porque cada vela que ilumina a escuridão, vale por milhões ou bilhões de outras “velas escuras” que a provocam. Coisas luminosas são muito mais raras e muito mais valiosas. Talvez o Universo tenha sabido a priori que para funcionar deveria dar um peso extraordinário às coisas que brilham... por isso gostamos de ver estrelas na noite.... mas o leitor inteligente já percebeu a fraqueza desta analogia... o que verdadeiramente manda no Universo, pelo menos por enquanto, são entidades de matéria e energia escuras...é aquilo que não podemos ver na noite... a fusão de todos os medos... é uma escuridão dentro da escuridão.
Acabo de ver a final da UEFA EURO-2008, na qual a Espanha deu um show... simplesmente um show! Aos cinco minutos de jogo eu já estava torcendo pra Espanha. Sou um Italo-luso-polaco-germânico e deveria estar torcendo pra Alemanha, mas foi impossível diante do que eu estava vendo. A Alemanha, além daquele futebol feio-prático-forte, veio também com jogos de corpo que eu chamaria de "uruguaios". Feio pra caramba. A Espanha, por sua vez, mostrava uma coisa bonita, rápida, inteligente e bem azeitada. Impossível resistir ao charme. O ogro-burro do Dunga (se existirem ogros inteligentes e não quero ofendê-los) deveria aprender com eles, mas tenho pouca esperança de que ele possa aprender alguma coisa. Os dirigentes-burros que o colocaram à frente da seleção também. Parabéns, Espanha, mostraram para o mundo que se pode jogar bonito e vencer, assim como muitas vezes fez o Brasil. Na metade do tempo eu liguei pro espanhol mais espanhol que conheço, o Carranza, avisando que hoje não haveria disputas, pois eu estava torcendo pro futebol bonito. A Espanha ganhou com um golaço daqueles raros de se ver. Parabéns, Carranza. Vida longa a este futebol!!
“Chuck” Charles Edward Anderson Berry é um dos últimos inventores do Rock ainda vivos (junto com Little Richard e Jerry Lee Lewis). E mais, ele foi quem inventou a maioria dos rifes de guitarra, foi ele quem fez com que a guitarra deixasse de ser só um instrumento de base para ser um instrumento performático. Eu diria que ele é o pai da musicalidade do Rock’n Roll, assim como Elvis Presley foi o cantor perfeito do gênero. O Rock & Roll fou criado através da fusão do Blues negro (e do velho Rhythm and Blues, não este de hoje que já não tem mais nafda a ver) e do Country branco (ouçam “Maybellene” para ver a sopa inicial... aliás Maybellene era uma vaca, se não me engano). Dizem que sempre pegava uma banda da cidade que ia para fazer o show e emprestava até mesmo guitarras pelo caminho, dizem que deu muito calote, dizem que comia menininhas (isso é verdade), dizem que foi o primeiro a juntar brancos e negros na mesma platéia, dizem que nunca tocou Johnny B Good da mesma maneira, dizem muita coisa do velho. Sua música sweet little sixteen foi a primeira canção executada em outro ‘planeta’ (na Lua, em 1969, missão Apollo 11). O cara podia ser o que fosse, mas bastava pegar uma guitarra e começar uma música que já era impossível resistir àquele magnetismo. Também criou toda uma temática de letras (veja you never can tell), uma sonoridade frasal peculiar que transformou a maioria de suas canções em grandes clássicos. De minha parte, a música que acho símbolo do velho Rock e minha predileta entre todas e todas é “Memphis, Tennessee”. Dia 20 estarei no Guaíra para ouvi-la ao vivo.
O Sport conseguiu reverter uma vantagem do Corinthians de 3x1 (do primeiro jogo), fazendo dois gols em 4 minutos, com direito a frango humilhante, a placar exato, ao martírio do adversário ter um tempo inteiro pra fazer um golzinho e não conseguir, etc, etc. Resultado, Sport Campeão e o mais importante, o Corinthians, não! Sou Palmeirense. O que posso dizer? A felicidade existe, e é relativa!
Você acreditaria se seu filho chegasse da escola com o olho roxo dizendo que passou a tarde vendo a Lua através de um Telescópio? Provavelmente, não. Mas é precisamente o que deve acontecer com uns 10 jovens hoje. Fui na escola Juscelino K. de Oliveira em São José dos Pinhais, onde a Iara trabalha, e fizemos lá uma sessão de observação da Lua, durante a tarde, para 580 alunos, parte do projeto "Astronomia na Escola", do CAUTEC-UTFPR, relacionado às atividades do "Ano Internacional da Astronomia, 2009". Muitos na empolgação de ver as crateras erravam a distância e metiam com força a cabeça, olho, bochecha em alguma parte do telescópio. O mais comum era bater o olho na ocular. Pelo menos uns 10 alunos se chocaram com violência suficiente para causar pequenos hematomas (e para desalinhar o instrumento). Espero sinceramente que os hematomas sejam pequenos e que seus pais acreditem em suas histórias. Abaixo, um momento do evento.
Há uns dias eu fui ver o Johnny Rivers no Teatro Guaíra. Fui lá pelos "velhos tempos" e acabei ouvindo muita coisa dos "novos" tempos dele. Mas saí cobntente... vi o "secret agent man" e outras famosas, e também minha predileta dentre todos os rocks antigos: "Memphis Tennessee". Sempre vejo shows dos balcões, mas para o dia 20 de junho, na Guairão, comprei acento na segunda fila (evitei a primeira porque já seria muita viadagem), um bom lugar pra ver o grande, o inimitável, gênio, o maior guitarrista de todos os tempos, Chuck Berry, mandando bala nos riffs que mudaram toda a história do Rock. Hoje ele está com 79 anos e na ativa. Lembro-me muito bem do filme que vi não sei quantas vezes "Hail, hail, rock´n roll", com "ele mesmo" fazendo o papel "dele mesmo", com direção de Keith Richards e participação de tanta gente boa: estavam lá o Robert Cray, Etta James,Steve Jordan (que também já vi debulhando guitarras), John Lennon (em arquivo) e seu filho Julian, Jerry Lee Lewis, Little Richard, Roy Rrrrrhh Orbison, Eric Clapton, Bruce Springsten e outros (que eu acho que estouraria o limite deste blog, se eu escrevesse os nomes). E obviamente verei novamente uma performance de "Memphis", juntamente com a maravilhosa guitarra de "johnny B good". Aí embaixo tem um link para uma apresentação antiga, imperdível.
Sexta-feira à noite, estive na calçada em frente ao SESC da esquina. Eu estava lá com dois telescópios mostrando os planetas Saturno e Jupiter (após 22h) numa das atividades organizadas pelo SESC. Aproveito para prestar homenagens ao excelente trabalho de Élisson, Juliana e(cara, tô esquecendo um nome... me desculpem), que juntaram Astronomia e arte num evento de duas semanas. Agradeço ao Elton que gentilmente foi comigo na quarta, levando mais um telescópio e ao Hara que esteve por lá na última sexta e me deu uma força. Presto honras ainda ao CACEP, que muito bem representado por seus mebros (Prof. José Luis, Prof. Amauri e muitos outros sócios), ao professor Roberto Bosczko (que conheci pessoalmente nesta ocasião) pela excelente palestra, ao Prof. Mário Sérgio, da UTFPR, pelo excelente curso preparado e ministrado, sempre com a competência que lhe é peculiar e ao sempre simpático professor Ronaldo Mourão (cuja pelestra perdi por estar na calçada, mas pude cumprimentá-lo e matar a saldade... abraço também para seu filho, fiel escudeiro) que sempre sabe encantar a todos com suas palestras. A Astronomia na calçada me trouxe ainda dividendos inesperados. Reencontrei o Joca, companheiro da Engenharia, que há mais de 20 anos não via (estava cantando música erudita ali por perto), o Charles apareceu (e pôde ver uns panetinhas), um médico gente boa que faz mestrado na área de mesuração de pressão intracraneana (cuja palestra, há um ano, me ensinou muito) e muitos outros. Ainda uma coisa. Aquele ponto do SESC é realmente especial. Quem passa por ali está indo ou saindo de alguma atividade cultural. A gente nota quase que instantaneamente isso. São pessoas mais curiosas, que aproveitam mais as chances que se lhes apresentam, que perguntam mais e se interessam genuinamente pelas coisas. Gostei muito de "trabalhar" lá. A palavra está com aspas primeiro porque representa de fato um trabalho, uma vez que sou coordenador do Clube de Astronomia da Universidade Tecnológica Federal do PR, CAUTEC, e segundo, porque não o encaro propriamente como um trabalho, pois gosto muito de fazer isso, é uma atividade diletante e gratuita que me traz muito contentamento. Para mim, é muito fácil esquecer o frio cortante, todas aquelas horas de pé, com meus pra lá de 45 anos, respondendo perguntas repetidas, apontando, reorientando, explicando aspectos daquilo que estão vendo. É um sacrifício que se vaporiza toda vez que vejo um sorriso no rosto de uma criança, um rapaz, uma mulher bonita, um velho... e a frase que mais ouço e não me canso de ouvir é: "noooossssaaaa!!!!!!.... a gente vê em fotos mas nem imagina que pode ser verdade... que lindo...".
Hoje de manhã eu vi a última metade da maratona internacional de São Paulo. Sempre que vejo estas corridas, eu me pergunto por que é que aqueles caras que estão lá correndo podem jogar copos e garrafas plásticas e outras sujeiras na rua? Por que é que, no meio de uma campanha mundial de combate a esse tipo de anticivilidade, eles podem? E nós, não? Eles são justamente os que deveriam puxar o exemplo. Por que nenhum repórter "nota" isso? Por que eles podem invadir nossa casa e mostrar essa propaganda sujismunda? E o pior de tudo não é a atitude que estes "profissionais" têm com aquela parcela da humanidade que fica vagabundeando em casa e cometem o horrendo crime de não serem vidrados por espostes. O pior é o desrrespeito que estes "profissionais" têm por seus próprios colegas corredores. Não é difícil imaginar o que pode acontecer se um corredor pisa num daqueles copinhos plásticos (ou garrafas) e nem é difícil imaginar como a vida fica difícil para aqueles de não disputam no pelotão da frente. A corrida para eles vira uma corrida de obstáculos. Hoje em dia, até em projetos de pesquisa você tem que escrever como vai tratar os resíduos, se a coisa é sustentável, etc. Estão cobrando de gente que já, há mais de uma década, recicla lixo, que lavem as embalagens PET e Tetra Pak para que os catadores não se sujem. Os próprios catadores seguem um protocolo que não polui e nem suja (são agentes negentrópicos ativos, bons cidadãos). Eu cuido do meu lixo, você cuida do seu lixo. Por que eles não podem cuidar do deles?