Dia do NERD

Hoje, 25 de maio, é o dia do NERD. Fui Nerd numa época que isso era pejorativo e isso me dá o direito de falar confortavelmente sobre o assunto. Conheço e aceito a evolução semântica de palavras dentro de uma linguagem, mas existem coisas que extrapolam um limite aceitável. Hoje, carinha se veste de Pokémon e se acha o maior Nerd. O que é isso? Deixem-me colocar o ponto de vista de um Nerd à moda antiga. O termo surgiu nos anos cinqüenta no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) Nerd é um termo depreciativo e estereotipado que descreve uma pessoa que tem quaisquer atividades intelectuais acima da média para sua faixa etária. Exatamente por ser assim, a pessoa é, geralmente, ‘deslocada’ e considerada tímida e anti-social. O Nerd não tem necessariamente uma inteligência acima da média, tem sim um ‘interesse’ acima da média. Não considero um “fã de STAR WARs” um Nerd. Nerds são os caras que pensam como os personagens do seriado “The Big-Bang Theory”(foto). O comportamento Nerd é, reconheço, um pouco chato no meio popular. Ninguém gosta de um cara que fica corrigindo os amigos em datas, conceitos técnicos e científicos e correlação idéia-gramática, etc. E tem mais, não vou citar o nome de pessoas com as quais não concordo. Faz parte da minha filosofia de vida não propagar ‘achismos’ que acho incorretos. Se estou certo ou não, isso é outra história. Mas tem umas sociólogas por aí que dizem que Nerd é uma pessoa que “tem uma obsessão por um assunto qualquer” (HQs, seriados, filmes, música, etc). Porra, essa obsessão tem outro nome, é fanatismo e o cara deve ser taxado de fanático, não Nerd. Tipo o “fanático” por “guerra nas estrelas” ou por “Star Trek”. Eu sou um Trekker (quem gosta de Star Trek e sabe sobre o assunto um pouco mais do que o normal), mas não sou um Nerd por isso. Estão criando um balaio imenso e jogando qualquer tipo de coisa dentro.  Se forem colocar até um  cosplay no mesmo balaio dos Nerds, “me tirem desse balaio”. Não que eu não goste dos cosplays ou dos otakus ou dos Geeks, pelo contrário, ... mas é que tenho uma tal obsessão por classificações inteligentes e esta classificação definitivamente  NÃO é inteligente. Não se pode juntar mentalidades tão diferentes e dizer que são o mesmo tipo de coisa. Você pode correlacionar os gostos e até dizer que se o cara é um, tem grande chance de também ser o outro, mas... vou dar o serviço aqui: Otaku é o fã da cultura pop japonesa, principalmente aquela veiculada por animes e mangás e pode ou não ser um cosplay, aquela pessoa que se veste como um personagem de anime ou mangá. Meu amigo Carlos Machado tem uma tese de doutorado sobre Otakus e talvez queira me corrigir nesta questão. O Trekker é um admirador da utopia de Star Trek, onde a humanidade despende sua energia para o bem estar dela mesma, ajudam e são ajudados por outros mundos, têm tolerância com diferentes modos de se pensar, aprendem com o novo e outras coisas, ou pode ser aquele admirador da filosofia ou do comportamento dos personagens. 90% dos cientistas atuais ‘de verdade’ (porque pedagogo e cientista político ou econômico não são pessoas da ciência) se dizem ter sido influenciados por aqueles personagens. Eu fui. No meu ponto de vista, um trekker que se veste como um personagem de Star Trek é um cosplay. Trekker é outra coisa. Já o Geek é o fanático por tecnologia, eletrônica, jogos de computador e outras coisas. O cara que transformou um Palm numa central de comando de uma Ferrari, só por diversão, é um exemplo de Geek. O Tolkeniano  é o cara que classifica o mundo entre os que conhecem e os que não conhecem “O senhor dos Anéis”, de Tolkien, e, provavelmente, sabe de cabeça a linguagem dos Orcs inventada e utilizada no livro (Tolkien era um fanático por lingüística). A obra de Tolkien é cheia de mitologia da mais alta qualidade e que sabe realmente o que é mitologia, sabe que é o tecido sobre o qual podemos resumir e pensar sobre o mundo e as pessoas, um dos sustentáculos do conhecimento e sabedoria. Não sou Tolkeniano, mas os respeito pra caramba. Tem os que gostam de Gibis, ou mais apropriadamente, Histórias em Quadrinhos (HQ) ou comic books em inglês, que deveriam ter um nome, como ‘comikers’, sei lá, só pra eles. O mundo dos quadrinhos é riquíssimo que vai, por exemplo, muito além do que o cinema pode ou consegue mostrar. Eu mesmo sou um fã de Batman, mas não sou Nerd por isso. Não estou defendendo uma tribo não, estou só defendendo uma classificação mais inteligente. Não gosto de ser considerado Nerd E estar na mesma classificação de quem se veste de Pokémon, se é que me entendem. Essa mesma falta de inteligência, profundíssima e crônica na maioria dos críticos no Brasil e no mundo (porque crítico geralmente é um cara que fala sobre um mundo que gostaria de estar, mas não conseguiu), faz pérolas como  o R&B (Rithim and Blues), que era uma puta música até os anos 70 e hoje tem a acepção que tem (tente baixar músicas R&B e ouvi-las e compara com as R&B da década de 60 e entenderá o que estou dizendo) e o pagode aqui no Brasil, aquela MERDA elevada ao Gugol. Compare o pagode dos “Originais do Samba” do faleciso Mussum, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila com o que se chama pagode hoje e, de novo, entenderá o que estou dizendo. Tenho um histórico Nerd que não cabe aqui e não gosto dessa mistura que estão querendo fazer. Ainda por cima, declararam o dia do Nerd por causa da data da estréia de Star Wars em 1977. Claro que adorei o filme e tenho muitos amigos fãs e os respeito e admiro muito. SW foi um divisor de eras no cinema. O cinema nunca mais foi o mesmo. A partir dali, idéias que apareciam nas cabeças também podiam aparecer nas telas e esta foi uma das maiores revoluções no cinema. Mas não se deve confundir fã com Nerd. Conforme Paul Graham, guru do Lisp e inventor das lojas virtuais por internet, existe uma relação direta entre ser esperto/inteligente e ser Nerd, e inversa entre ser Nerd e ser popular. Acho que é isso mesmo.