Bortolotto, o Dramaturgo bebum, foi baleado em tentativa de assalto em SP

O dramaturgo Mário Bortolotto está internado em estado grave no hospital Santa Casa, São Paulo, após levar dois tiros no tórax nesta madrugada. Aconteceu no Espaço Parlapatões, um dos teatros na Praça Roosevelt. O músico Carlos Carcará foi baleado na perna, mas não corre risco de morte. Conforme testemunhas, Mário reagiu ao assalto. Foi minha mulher que ligou: “acabei de ouvir no rádio que teu amigo foi baleado em SP, o Bortolotto”. Ele não é “bem” meu amigo. O Bortolotto é de Londrina e mora em São Paulo desde 1990. Estudei com ele no ensino médio, antigo “científico”, no Colégio São José de Apucarana. Ele era seminarista e pertencia ao time de futebol dos seminaristas, o único time que conseguia ganhar do nosso time, o saudoso “Liverpool”. Cansei de jogar com ele, mais contra ele, e até o ouro que ganhamos no campeonato do “médio” foi em cima de um resultado de empate (nosso melhor resultado contra os Seminaristas), onde o jogo não terminou porque houve briga (e se conheço o Mário, ele estava bem no meio e eu também). Isso é uma coisa que ele pode se gabar, nosso Liverpool batia até o exército, mas perdíamos sempre deles. Mais de 15 anos depois eu fiquei sabendo de uns trabalhos do Mário. Eu já brinquei com música e literatura, mas agora tenho uma vida “Técnica”, o que não me impede de apreciar a arte. Os trabalhos do Mário eram fantásticos, as crônicas, poesias e peças e os livros. Acho que li metade das peças dele, vi duas com ele mesmo atuando (é um puta ator também), há algumas semanas vi o filme “nossa vida não cabe num opala”, baseado no seu texto do “... Chevrolet", onde ele manda muito bem numa cena do bar, jogando sinuca e até “trocando as bolas” no filme. Resumindo, o Bortolotto representa para mim (além de eu ser um fã confesso de sua literatura) uma coisa muito particular. Significa que minha geração não foi em vão, que não foi uma cambada de perdidos sem conexão com o passado e sem alvo pro futuro, significa que surgiram grandes escritores e grandes Homens, que nós estávamos certos em odiar aquele modo rebuscado e ineficiente de escrever que os autores usaram nos últimos 150 anos, que não é preciso esconder o medo pra mostrar que se é forte, que não é preciso amar a vida pra se viver bem, que a acidez não é necessariamente feia e que a doçura não é necessariamente bonita, que não é necessário aceitar as coisas como são e que tudo pode mudar. Ele me faz sentir orgulho da minha geração...  Não sei o que o Mário pensou na hora... se não reagisse não seria ele, mas reagiu e agora também não é ele. A vida é foda!!! Marião, guenta aí!!!! Sei que você está cheio de amigo do outro lado, mas o mundo não tá pronto pra você ir embora.