Tempestade Magnética Solar e a Abertura do Mar Vermelho

 

Hoje, depois de andar de bicicleta com minhas filhas e montar mais uma parte de nosso robô, também com elas, estávamos almoçando em casa quando a rádio transamérica (fica sempre um rádio ligado na copa) voltou “ao ar”. Todos se espantaram porque ninguém tinha percebido que tinha “saído do ar”. Como me lembrei de tê-lo ouvido mais cedo, e como sou macaco velho nessas coisas, corri para cima, para minha bat-caverna, e acessei o “Space Weather”, site que provê informações do que está ocorrendo no espaço. Não deu outra. Havia lá um alerta para avistamento de auroras boreais. As auroras estão relacionadas com acoplamentos magnéticos entre o campo magnético terrestre e os fenômenos magnéticos do espaço próximo em que o planeta está inserido. Muitas vezes há fenômenos no Sol (Ejeção de massa coronal, fratura de laços magnéticos e outros) que catapultam plasma, partículas energéticas –e, com elas, campos eletromagnéticos associados- que são popularmente conhecidas como “tempestades magnéticas”. Estas “tempestades” podem interferir e até destruir satélites, causar auroras e até mesmo, através de acoplamentos com linhas de transmissão de energia elétrica, destruir transformadores gigantes de substações de energia. No caso de hoje, os satélites se desligaram ou foram desligados remotamente (para proteção) por causa da “tempestade magnética” que estava passando pela Terra. Isso não é muito comum, mas também não é muito raro. Pessoalmente já presenciei várias vezes o fenômeno de transmissões via satélite ficarem cortadas por este motivo. Então, aproveitando para ver mais um pouco sobre isto, vou passar a ficha do demônio: A previsão do Space Weather era para uma passagem pela Terra entre dias 12 e 13 de3 setembro. O povo dos pólos podem esperar ver auroras mais intensas nesses dias [as auroras são feitas dos fótons emitidos da interação entre este fenômeno magnético atravessando o espaço no qual a Terra se encontra e o campo magnético terrestre. Comno o Campo magnético terrestre entra e sai pelos pólos, são nessas regiões somente que as partículas podem penetrar (na verdade, elas são armadilhadas ali) e interferir]. O NOAA estima numa alteração de 30% na atividade geomagnética durante estes dois dias. O link abaixo mostra uma erupção solar nas últimas horas de 10 de setembro, que causou todo o rebuliço.


http://spaceweather.com/swpod2010/11sep10/redsea.mpg?PHPSESSID=8ij5hv2m14pdqn8b024o9f58m1


A coisa foi chamada de “abertura do Mar Vermelho” por causa do efeito na superfície do Sol após a ruptura dos laços magnéticos. Quando isso acontece, parte do plasma que estava na parte remota do laço é jogada para fora do Sol e parte “cai” novamente sobre ele. É o plasma voltando à superfície que causa o efeito da “abertura do mar vermelho”. A parte que é lançada para fora do Sol (a ejeção de massa coronal), quando vem para nossa direção, é que causa toda a bagunça.

P.S.- Não consegui confirmar, pelos gráficos do NOAA,  nenhum distúrbio (magnético, eletrônico ou protônico) significativo para o período em questão. Apesar disso, deixarei aqui o post porque ele é verdadeiro na sua essência e pode ser útil para alguém, embora eu pessoalmente duvide de que existam muitas pessoas preocupadas com esse tipo de coisa.