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Ciência, Astronomia



Matéria escura, Energia escura...

Há 10 anos, dois grupos (o de S. Perlmutter e o de B. Schmidt) descobriram, independentemente, através do estudo das explosões de supernovas do tipo Ia (que têm um padrão extraordinariamente “bem comportado” e previsível), que além de o Universo estar se expandindo (como descobriu Hubble, em 1929), ele o está fazendo de forma acelerada. Há alguma força distendendo o espaço. A constatação de um fato, em ciência, nem sempre vem acompanhada da explicação do mesmo. De fato, até hoje não se sabe o porquê disso. Dois anos depois daquela descoberta, observações da radiação cósmica de fundo comprovaram que o Universo era muito mais “cartesiano” do que se supunha (SAB, junho de 2008, p29), demonstrando que sofreu uma expansão inicial exponencial, conhecida por expansão inflacionária. Do conjunto destes dados, pôde-se determinar que, se tudo estiver correto, 72% do Universo é composto de energia escura, que não sofre nenhuma interferência da gravidade, 23% é matéria escura de um tipo ainda desconhecido, mas capaz de sofrer influência da gravidade, e o resto, míseros 5%, é composto por matéria bariônica, ou seja, toda a matéria que conhecemos hoje (prótons, nêutrons e elétrons). Esse era o recado que a natureza tinha a nos dar: “vocês ainda não sabem nada!” Essa foi a deixa para retomarem projetos antigos e vestirem de seriedade coisas antes desacreditadas. Por todo o mundo existem buscas por branas, energia do vácuo, comportamento anormal do continuum, grávitons, multidimensionalidade e outras coisas ainda mais estranhas. É bem possível que a lei de Clarke esteja agindo aqui (algo suficientemente muito mais avançado do que nosso atual nível de conhecimento é indistinguível da mágica). Até mesmo a famosa constante de Einstein (que ele teria dito em vida ter sido seu maior erro) foi revisada. Isso talvez queira dizer que o possível maior erro de Einstein pode ter sido sua mais impressionante predição teórica. Com a análise dos mais de 200 planetas extra solares descobertos até agora, foi possível percebermos que não sabemos quase nada sobre a formação planetária (não há um único sistema igual a outro). A diversidade é extraordinariamente grande lá fora. É impossível não se maravilhar diante de tais fatos e desafios. Este é um jogo que nascemos para jogar e, apesar do que querem nos fazer crer alguns ditadorezinhos que existem por aí, o Homo sapiens acaba, na média, com uma “derivada positiva”. Isso acontece simplesmente porque cada vela que ilumina a escuridão, vale por milhões ou bilhões de outras “velas escuras” que a provocam. Coisas luminosas são muito mais raras e muito mais valiosas. Talvez o Universo tenha sabido a priori que para funcionar deveria dar um peso extraordinário às coisas que brilham... por isso gostamos de ver estrelas na noite.... mas o leitor inteligente já percebeu a fraqueza desta analogia... o que verdadeiramente manda no Universo, pelo menos por enquanto, são entidades de matéria e energia escuras...  é aquilo que não podemos ver na noite... a fusão de todos os medos... é uma escuridão dentro da escuridão.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 17h15
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Olho roxo

Você acreditaria se seu filho chegasse da escola com o olho roxo dizendo que passou a tarde vendo a Lua através de um Telescópio? Provavelmente, não. Mas é precisamente o que deve acontecer com uns 10 jovens hoje. Fui na escola Juscelino K. de Oliveira em São José dos Pinhais, onde a Iara trabalha, e fizemos lá uma sessão de observação da Lua, durante a tarde, para 580 alunos, parte do projeto "Astronomia na Escola", do CAUTEC-UTFPR, relacionado às atividades do "Ano Internacional da Astronomia, 2009". Muitos na empolgação de ver as crateras erravam a distância e metiam com força a cabeça, olho, bochecha em alguma parte do telescópio. O mais comum era bater o olho na ocular. Pelo menos uns 10 alunos se chocaram com violência suficiente para causar pequenos hematomas (e para desalinhar o instrumento). Espero sinceramente que os hematomas sejam pequenos e que seus pais acreditem em suas histórias. Abaixo, um momento do evento.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h14
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Astronomia no SESC da esquina...

Sexta-feira à noite, estive na calçada em frente ao SESC da esquina. Eu estava lá com dois telescópios mostrando os planetas Saturno e Jupiter (após 22h) numa das atividades organizadas pelo SESC. Aproveito para prestar homenagens ao excelente trabalho de Élisson, Juliana e(cara, tô esquecendo um nome... me desculpem), que juntaram Astronomia e arte num evento de duas semanas. Agradeço ao Elton que gentilmente foi comigo na quarta, levando mais um telescópio e ao Hara que esteve por lá na última sexta e me deu uma força. Presto honras ainda ao CACEP, que muito bem representado por seus mebros (Prof. José Luis, Prof. Amauri e muitos outros sócios), ao professor Roberto Bosczko (que conheci pessoalmente nesta ocasião) pela excelente palestra, ao Prof. Mário Sérgio, da UTFPR, pelo excelente curso preparado e ministrado, sempre com a competência que lhe é peculiar e ao sempre simpático professor Ronaldo Mourão (cuja pelestra perdi por estar na calçada, mas pude cumprimentá-lo e matar a saldade... abraço também para seu filho, fiel escudeiro) que sempre sabe encantar a todos com suas palestras. A Astronomia na calçada me trouxe ainda dividendos inesperados. Reencontrei o Joca, companheiro da Engenharia, que há mais de 20 anos não via (estava cantando música erudita ali por perto), o Charles apareceu (e pôde ver uns panetinhas), um médico gente boa que faz mestrado na área de mesuração de pressão intracraneana (cuja palestra, há um ano, me ensinou muito) e muitos outros. Ainda uma coisa. Aquele ponto do SESC é realmente especial. Quem passa por ali está indo ou saindo de alguma atividade cultural. A gente nota quase que instantaneamente isso. São pessoas mais curiosas, que aproveitam mais as chances que se lhes apresentam, que perguntam mais e se interessam genuinamente pelas coisas. Gostei muito de "trabalhar" lá. A palavra está com aspas primeiro porque representa de fato um trabalho, uma vez que sou coordenador do Clube de Astronomia da Universidade Tecnológica Federal do PR, CAUTEC, e segundo, porque não o encaro propriamente como um trabalho, pois gosto muito de fazer isso, é uma atividade diletante e gratuita que me traz muito contentamento. Para mim, é muito fácil esquecer o frio cortante, todas aquelas horas de pé, com meus pra lá de 45 anos, respondendo perguntas repetidas, apontando, reorientando, explicando aspectos daquilo que estão vendo. É um sacrifício que se vaporiza toda vez que vejo um sorriso no rosto de uma criança, um rapaz, uma mulher bonita, um velho... e a frase que mais ouço e não me canso de ouvir é: "noooossssaaaa!!!!!!.... a gente vê em fotos mas nem imagina que pode ser verdade... que lindo...".

 



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 17h38
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Astronomia na calçada do SESC

Segunda noite de Astronomia na calçada do SESC da esquina. Acho que umas 150 pessoas saíram de lá contentes. Fomos eu e o Eltom representar o CAUTEC. O lugar é promissor para esta atividade. Levei meu Celestron 130 mm com acompanhamento automático (queimei um dos motores, mas já está operacional novamente... vantagens de ser eng. elt.) e o Eltom levou o Newtoniano-Dobsoniano do Carlos Machado (outro representante do CAUTEC), feito pelo Sandro. Cara... não posso deixar de repetir o quanto admiro a ótica do nosso amigo Sandro Coletti. Estávamos sercados por uns 20 kW de lâmpadas de sódio, no centro de Curitiba com aquela poluição toda, o céu parecendo sangue vaporizado por causa da PL, e Saturno estava perfeito na ocular. Dava pra ver  a sombra dos anéis projetada no planeta (não fui só eu... neguinho sem experiência, que nunca tinha colocado um olho na ocular, também via). Titã também estava se exibindo. Tinha gente que achava que era projeção, de tão perfeito. MOstramos ainda a caixinha de joias (as crianças sempre gostam), as duplas visíveis do sistema triplo de alfa-centauri, e Jupiter, lá pelas 22horas com quatro luas bem visíveis. Infelizmente o lado em que estava o cometa Boattini esteve sempre encoberto e não deu pra ver nada (aliás, esse cometa tem me dado um trabalho... muito difícil de ver da cidade).



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h05
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Observação Astronômica de Calçada - SESC

Junto com as atividades de Astronomia promovidas pelo SESC da esquina aqui em CURITIBA, teremos mais duas observações de calçada (em frente ao SESC da esquina). A primeira nesta quarta feira, dia 28 de maio, logo após a aula do Curso de Astronomia do Prof. Mario Sérgio, aproximadamente às 21 horas; a segunda na sexta-feira, dia 30 de maio, logo após a palestra do prof. Ronaldo Mourão, 21 horas. Em ambas as oportunidades, serão dadas ênfases na visualização dos planetas Saturno, Jupiter (após 10h) e cometa Boattini (difícil de ver da cidade). Teremos dois ou três telescópios diferentes no local. Uma colaboração CAUTEC - SESC.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 13h41
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Astronomia de Calçada

 

2a Noite Internacional de Astronomia de Calçada

2a ISAN (2st INTERNATIONAL SIDEWALK ASTRONOMY NIGHT)

12 de abril de 2007

 

    

 

No dia 12 de abril, o mundo todo estará unindo seus astrônomos, amadores ou não, em esquinas, praças ou calçadas, levando a astronomia até os transeuntes.

 

A Astronomia de calçada tem como objetivos principais: 1) dar à comunidade a chance de ver, com seus próprios olhos, objetos celestes através de equipamentos apropriadamente proporcionados e 2) Dar informações sobre o que estão vendo. É uma atividade puramente voluntária e o único interesse é a disseminação da Astronomia.

O CACEP, Clube de Astronomia do Colégio Estadual do Paraná, acompanhado pelo CAUTEC, Clube de Astronomia da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), disponibilizará seus equipamentos para a 2a ISAN, no dia 12 de abril, no Relógio das Flores. Professores, astrônomos amadores e diletantes estarão no local para atender (a)os interessados. Qualquer pessoa pode participar, é só ter a curiosidade e ir para o evento. Podem trazer, se quiserem, instrumentos próprios.

 

LOCAL: Relógio da Flores, Centro Histórico de Curitiba

Lat: 25o 25’ 38,73”S   e   Long: 49o 16’ 27,35” O; h= 1000 m. e GMT -3.

DATA e HORÁRIO: 12 de abril, 19h até 23h

Atividades: Observação da Lua a oeste e Saturno no zênite.

 

Equipamentos: Telescópio Newtoniano Motorizado de f=15 cm.; Telescópio Schmidt-Cassegrain de f=20 cm.) e Binóculos Astronômicos 9x63 e 7x50

CACEP: Prof. José Manoel Luís Ungaretti da Silva – Diretor; Prof. Mário Sérgio Teixeira de Freitas e Prof. Amauri José da Luz Pereira       

CAUTEC:  Prof. Bertoldo Schneider Jr.


 



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 19h44
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Coisas interessantes para Físicos Teóricos

Como bom engenheiro, sempre fico muito feliz quando posso falar mal dos físicos, especialmente aqueles puramente teóricos (engana-se quem pensa que Einstein foi um teórico... seus gedanken ou experimentos pensados, apesar de virtuais, eram plenamente satisfatórios). É uma brincadeira saudável que temos, nós e os físicos, e que parece universalizada em todos os países da Terra. Isso acontece mesmo a despeito de gostarmos e respeitarmos muito o trabalho deles. Mas às vezes eles "saem da caixinha". Dizem que Richard Feynman e Denny Hillis ficaram uma noite inteira entortando espaguete e vendo em quantos pedaços eles se quebravam. Eles se quebravam em três ou mais pedaços. Depois foram precisos 20 anos até que descobrissem porque eles não podiam quebrar os espaguetes pela metade. Explicação encontrada na teoria matemática da fragmentação. Tenho certeza absoluta que isso encantaria a maioria dos alunos de física que conheço e reconheço que também fiquei impressionado por um ou dois minutos, tempo que levei para fazer o experimento. Quebrei somente 13 "fios" de espaguete e linguini. Parei com um universo tão pequeno porque já dava 8 a 5 para os quebrados-em-dois (uns dois deles quebrados bem no meio) contra os quebrados-em-mais-de-dois. O que vou dizer? No meu mundo, um fato vale mais que mil teorias.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 18h20
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Petróleo em Titã

Eu estava escrevendo um resumo sobre o processo de compilação, num final de domingo, programa de índio, quando o Eltom me liga. "Você já ouviu falar da descoberta de petróleo em Titã?". Titã é uma lua gigante de Saturno. "Não", respondi. "Pois é, acharam por lá petróleo"... e daí partimos pruma discussão sobre ter ou não vida lá, etc... A rigor, o petróleo, ao contrário do que nos ensinaram na escola, não tem como origem só material orgânico vegetal ou animal estratificado e transformado a altas pressões. Petróleo é o nome de uma família muito grande e diferente de misturas de hidrocarbonetos. Nossa gasolina tem butanos, octanos e o escambal, o petróleo dá plástico, gás, diesel e um monte de outros "lixos". O petróleo de Titã é light, feito só de metano e etano (por enquanto é o que se sabe, por espectroscopia) e essas coisas são até queimadas para se chegar na gasolina aqui na Terra. A vantagem é que lá, que tem o dobro do tamanho da nossa Lua, tem estimadamente mais de quatro vezes todo o petróleo que deve ter neste planeta. E está fácil de colher. Lá o petróleo "chove". Já tô vendo alguém inventar um processo pra transformar o etano em etanol. Vai chover cachaça e vai virar o primeiro boteco entre aqui e o resto da galáxia.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 18h36
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A Spark for Mr. Vollmann

Professor Vollmann, from Berlin, is a nice man. He has a great sense of humor, and knows pretty much about measurements. I always learn a lot and I’m very grateful for his help when I was dealing with my doctorate work. But, because of my Tarzan-English, it’s very difficult to me to talk to him. I’m very slow to take conclusions from an experiment. I just can’t follow him… I think it is the third time he came to Brazil, and there always be collaboration between us, like today. I’m very tired right now, but happy with the results we achieved. In this evening we’ve passed 5 hours sparking several different materials (water, metal, soup, cream for hands, orange, apple (Gustavo doesn’t liked, but gave his apple to the science) und so weiter, and we improved our understanding about the problem of “different-materials-asymmetry” … but the very solution appears to stay even more distant, unfortunately. Science is just like that… sometimes “she” answer some questions, sometimes she ask another ones, and sometimes she kill all the questions… letting you lost in a desert place, at night, and without stars…



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h50
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Primeira passagem da Messenger por Mercúrio

  Neste 14 de janeiro, a nave MESSENGER (Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry, and Ranging) fará um “rasante” (pouco mais de 30 Mm, 30.000 km) por Mercúrio, o planeta “terrestre” (rochoso e perto do Sol) menos estudado. Mércúrio é o Deus dos Viajantes, mercadores e ladrões, mas é mais conhecido por ser o arauto dos Deuses. Arauto significa mensageiro, daí o nome/sigla MESSENGER dado pela NASA. A variante grega para Mercúrio é Hermes e o símbolo deste post é o símbolo de Mercúrio (que também é usado pelos astrólogos, que não têm nada a ver com Astronomia). Estão agendadas, para esta passagem ( várias sessões de fotos em várias janelas espectrais. Isso significa que, para a semana que vem, podemos esperar fotos novinhas, fresquinhas, do planeta “rapidinho”. Mercúrio tem uma peculiaridade interessante (na verdade, muitas): Seu dia tem quase 58,65 dias terrestres e seu ano (uma volta completa em torno do Sol) tem 87,97 dias terrestres. Isso quer dizer que o ano “mercuriano” tem quase que exatamente um dia e meio, ou seja 1 ano = 1,5 dias (eles não poderiam fazer feriado por lá) e, no passado, cientistas chegaram a acreditar que fosse síncrono, como a nossa Lua, i.e., mostrava sempre a mesma face para o Sol. Também tem o interessante fenômeno conhecido por “pôr de Sol duplo”. Numa determinada localização de Mercúrio, é possível ver o Sol se por, depois subir novamente voltando para o céu visível e tornar a descer. Este eu soube através da Lista Urânia, a maior lista de interessados (amadores e profissionais) em Astronomia do Brasil, capitaneada pelo famigerado Naelton. Os dados para simulação devem estar em algum HD de backup aqui em casa. Se alguém se interessar, eu procuro.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 12h45
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Terremoto onde?

É muito comum, mais agora que os EUA deixaram de ser o “sonho brasileiro”, ouvirmos o argumento de que moramos numa terra abençoada. Eu mesmo o uso frequentemente. Terra abençoada porque aqui não temos problemas de neve, terremotos, vulcões, tufões, etc. Não somos mais assim. Talvez porque tenhamos começado a registrar há pouco tempo ou por causa das modificações planetárias ocorridas por causa da modificação climática (em sua maior parte –não tão grande como preconizam – causada pelos gases estufa). O fato é que o Brasil está mudando. Há alguns anos tivemos aqui perto, em Santa Catarina, um anti-ciclone respeitável e a coisa era tão rara que os “gringo” até acharam petulância nossa querer dar nome ao bicho (como se só eles pudessem fazer isso). Agora vem essa história de um terremoto em Minas, e pior, com uma vítima: uma menininha de cinco anos (quem disse que monstros não atacam perto da meia-noite?). Foi a primeira morte, causada por terremoto, registrada no país. Até onde se sabe, o Brasil não tem falhas tectônicas e está “no meio” de uma grande placa. É incomum terremotos de médias proporções, como foi esse de Minas (Richter 4,9). No Brasil foram registrados poucos dessa magnitude (12, conforme o geólogo Chimpliganond, da UnB, o maior, de 6,2, no Mato Grosso, em 1955). É um fato que o planeta está mudando seu comportamento. Cientistas não discutem fatos, por mais estranhos que sejam. Discutem, quantificam e remoem a qualidade da verdade do que sabemos sobre o fato. Quanto a isto, parece não haver nenhuma dúvida. Então, a questão acadêmica do que está causando tudo isto, de quais as percentagens de colaboração desse ou daquele fenômeno, parece desprovida de sentido diante da necessidade emergente de termos que agir no sentido de controlar essas modificações planetárias. Parece certo que o efeito do gás carbônico nessa modificação colabora com algo entre 40 e 90%, Meu “chute”, baseado na história térmica do planeta, causada por eventos astronômicos, é algo em torno de 55-60% (o efeito Milankovic eu acho que tem pelos 30-38%, nessa época em que vivemos). O lance do Milankovic nós não podemos fazer nada. Não é tão fácil mexer na órbita do planeta, nem no comportamento do Sol. Muito mais fácil é modificar alguns comportamentos aqui na Terra e consertar o lance do gás carbônico. Este está ao nosso alcance.  Já provamos nossa capacidade de foder com o planeta e consertar nossas cagadas com a história da camada de ozônio, atualmente considerada sob controle. Se aquele grande país do norte (com aquele pequeno governante) parasse de queimar tanto carvão, instituísse em seus veículos o mesmo padrão de emissão usado na Europa e parasse de brincar de “king of the hill”, já teríamos mais umas duas décadas para tentar resolver o problema de modo sistemático e global.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 21h21
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A pirâmide de Chichén Itzá e o calendário Maia

No último feriado de outubro, dei uma palestra sobre sistemas de contagem de tempo baseados na Astronomia para os colegas amantes de Astronomia que compareceram ao 4o Encontro Paranaense de Astronomia (EPAST). Expliquei lá que o próprio segundo é uma definição astronômica (é 1/86400 do dia solar médio calculado entre 1750 e 1892, i.e., por volta de 1820) e tem um lastro baseado em n períodos de radiação do Césio 133 ou transição maser do hidrogênio. Portanto, é uma definição astronômica e não uma convenção física. Mas como tudo muda, no final do século XX a duração do dia já havia mudado para 86400,002 segundos (por causa do efeito das marés do sistema Terra-Lua). É por isso que temos de vez em quando que inserir (ou deduzir) um segundo em relação ao horário atômico (lembram das várias vezes que já fizeram isso durante o réveillon?). Falei também de muitos tipos e histórias de calendários, especialmente sobre a grande reforma de Julio Cezar (90 dias em 46 A.C.) e da reforma do Papa Gregório (10 dias em 1582). Claro que o normal seria, entre os calendários hindu, hebreu, judaico, chinês, Viking, persa, iraniano, muçulmano, islâmico, soviético, egípcio, etc, que o calendário Maia se sobressaísse. Mas enquanto eu preparava a palestra, aconteceu algo que ... Em muitos sites, livros e mesmo textos de colegas divulgadores de Astronomia eu tenho visto a história de que a famosa pirâmide de Chichén-Itzá é um ícone da capacidade da Astronomia Maia. É também patrimônio mundial (UNESCO) e uma das novas sete maravilhas do mundo (ainda não homologada). Contam que tal pirâmide tem uma escadaria em cada um dos quatro lados e que todas têm exatamente 91 estreitos e íngremes degraus. Daí, falavam que 4 vezes 91 dava 364, mais a última elevação da pirâmide dava os 365 que batiam com o número de dias solares do ano. Chichén Itzá foi a principal cidade do extinto império Maia e a data de sua fundação é estimada entre 435 e 455 A. D.  A pirâmide mexicana mais famosa está nesta cidade, a pirâmide de Chichén-Itzá ou de Kukulcán. O nome Chichén-Itzá significa "à beira do poço do povo Itza". Estima-se que Chichén-Itzá foi fundada por volta dos anos 435 e 455 e está muito próxima da famosa cratera de Chicxulub (mas essa história eu conto outra hora). Não me lembro de nenhuma outra palestra ter me dado tanto trabalho (porque eu tinha que conferir tudo, os números tinham que bater até quatro casas depois da vírgula, precisão considerada para efeitos astronômicos).  Nesse procedimento de conferência de tudo, baixei fotos de alta qualidade da dita pirâmide e fui contar seus degraus. E o que aconteceu? Pasmem! Não tem os 91 degraus, tem 93. Sabem o que isso significa? Que tem muito neguinho por aí posando de homem de ciência e que andou propagando tal história sem conferir. Engoliram a historinha com farofa. Agora, imaginem! Se isso acontece num meio em que o pessoal está acostumado a usar metodologia científica, o que estará acontecendo no meio popular, onde o achismo é a regra de ouro, onde aceitam teorias simplesmente pelo fato delas “se encaixarem” nos “fatos” ou, pior ainda, “se encaixarem” no que acreditam ou “querem acreditar”? Resumindo. Fiquei receoso e infelizmente não apresentei o calendário Maia (embora seja de longe um dos mais perfeitos e contenha peculiaridades interessantes como o fato de ter três calendários paralelos simultâneos e finitos, um solar, outro sinódico-venusiano-etc e outro divino). Abaixo, apresento a foto da pirâmide com minhas marcas de contagem. Confiram se não estou errado. Então, até que me provem o contrário, a história da soma dos degraus da pirâmide de Chichén-itzá é absolutamente FALSA (como era também a história das pirâmides de Gizé e o cinturão de Órion, como provei há muitos anos e bloguei aqui em 14 de 08 deste ano). De minha meteórica, desengonçada e vergonhosa carreira no Teatro, ficou incrustado em mim o ceticismo do único apóstolo que já representei, São Tomé. 

 



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h10
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Mais um EPAST

Mais um EPAST. O 4o Encontro Paranaense de Astronomia. Lá se vão quatro anos com encontros entre malucos que gostam de falar e trocar experiências sobre Astronomia, aguentar mosquitos noturnos em descampados frios e longínquos. Mais uma vez, foi demais! Eu sei que a maioria das pessoas não entende esses doidos alienados que gostam de ficar olhando "pra fora", mas é lá que quase 100% do que existe está. Quem é o alienado? Gosto de estar com essa turma, gosto de presenciar eventos irrepetíveis, eventos absolutamente imprevisíveis, curto mesmo estar deitado numa lona plástica durante toda a noite, vinho do lado, conversando sobre qualquer coisa (como a famosa observação dos leonídeos em que falamos umas 4 horas sobre os "fulerídeos"), olhando dezenas de meteoros atravessarem coloridos os céus. Ali não tem engenheiros, doutores, professores, alunos, administradores, diretores, médicos, físicos, pedreiros. Só tem amantes da Astronomia. Iguais. Amadores da Astronomia como  alguns gostam de dizer. Curto outras coisas também, igualmente importantes pra mim. E, por isso mesmo, é bom reservar um tempinho  por ano pra esse pessoal. No começo do ano estivemos juntos em várias noites caçando o cometa MacNaught, o mais impressionante que já vimos e talvez o de maior calda já registrada. Abaixo uma foto dos participantes, pra constar...



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h40
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O velho CAUTEC

Hoje no encerramento do 4o Encontro Paranaense de Astronomia, velhos amigos do CACEFET, atual CAUTEC. Da esquerda para a direita, o Santana, que abandonou o bandô pelo chapeu-Dumont, a Claudia Nicolau, sumida havia vários anos, deu o equilíbrio ao bando; em seguida o maior construtor de óptica de telescópios do Brasil, o absolutamente pirado e reconhecido em todos os cantos ópticos do Brasil, "Sandro" (que hoje estava com o cabelo comportado) e na direita, eu mesmo.



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 22h26
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Equinócio de primavera. (ou de como meu velho pai sabia das coisas)

O equinócio de primavera, para nós do hemisfério sul, acontece neste ano em 23 de setembro. Equinócio vem de æquus (igual) e nox (noite), i.e., equinócio é o nome que se dá aos instantes (dias) do ano nos quais o dia tem a mesma duração da noite. Isso acontece em média em 20 de março e em 22 de setembro (e não nos dias 21´s como se acredita por regra geral). Mas a coisa não é tão simples assim. Primeiro o Sol não é um ponto no céu, pois tem um tamanho angular de aproximadamente 0,5 grau (aproximadamente o mesmo da Lua) e, segundo, temos a atmosfera, que funciona como um prisma, fazendo com que o Sol seja visível mesmo quando não o seria se não houvesse a atmosfera. Esses efeitos combinados somam uns 7 a 8 minutos em cada arrebol (para o equador terrestre, 7, aumentando quanto mais para o pólo estiver o observador), fazendo com que o dia seja de fato mais comprido que a noite no equinócio (Se o Sol fosse puntiforme e não existisse a atmosfera, tanto dia quanto noite teriam 12 horas no equinócio). Se olharmos para o céu estrelado, veremos que o mesmo gira em torno de um ponto, pólo, localizado ao sul exatamente a uma altura de tantos graus quanto os graus de latitude do lugar. Aqui em Curitiba, ele está localizado a uns 25 graus de “altura” em relação ao horizonte. Para achar o Sul, pegue a distância entre as estrelas alfa e gama do Cruzeiro do Sul (aquelas que formam o pau maior da cruz) e, na mesma direção das mesmas, sentido para “baixo” da cruz, projete quatro vezes esse tamanho e mais um tiquinho (4,3 vezes) e você estará olhando para o pólo sul celeste (que em Curitiba fica uns 11 graus “para a direita” do sul magnético, por causa da declinação magnética local). Se o céu tem um pólo sul, tem também um norte e um equador, que chamamos de equador celeste. No equinócio, o Sol atravessa o céu (quase que) exatamente sobre este equador celeste. O Sol nasce, então, nestes dois dias, (quase que) exatamente no leste e morre no oeste. Outro conceito importante (neste tema) é o da eclíptica. A Terra gira ao redor do Sol durante um ano. Se marcarmos durante o ano as posições que o Sol tem em relação ao fundo de estrelas (obviamente essa é uma tarefa difícil de se fazer quando o Sol está presente e, portanto, não é bem assim que a coisa é feita), teremos uma circunferência escrita na abóbada celeste que chamamos de eclíptica (vem do grego e quer dizer “sujeito a eclipses”, pois os eclipses acontecem quando a Lua está próxima dessa linha). Os equinócios também são (claro que os eventos estão relacionados) os instantes em que as circunferências do equador celeste e da eclíptica se cruzam. São dois pontos de cruzamento e o que ocorre em março é muito importante (é o ponto vernal ou ponto de primavera – para “eles” do hemisfério norte – que é usado arbitrariamente como o referencial zero de alguns tipos de coordenadas celestes).

 

Meu pai sempre teimou comigo que eu havia nascido no dia em que a noite é maior (e o dia menor, consequentemente). Ele falava isso com aquela convicção comum aos sábios, com a certeza de saber algo imutável. Eu nasci no dia 25 de junho e, como eu já sabia desde moleque que o solstício (quando há o maior dia em relação à noite ou vice-versa) acontecia em 21 de junho, sempre tive pena do meu pai por ele ter guardado “erroneamente” aquela informação. Hoje, que me debruço sobre este problema (pela primeira vez, para escrever este post), descubro que sempre desprezei os efeitos que “dilatam” o dia, expostos acima. Se você procurar com cuidado o dia em que esses efeitos se anulam e o dia é “realmente” o maior em relação à noite, você vai encontrar, adivinhem, 25 de junho. Se meu pai estivesse vivo eu ligaria para ele agora ou faria de carro os duzentos quilômetros pra dizer que eu sempre estive errado e ele, certo. Eu tomaria um 12 anos que ele sempre tinha guardado enquanto ele tomava seu chimarrão. E de 20 em 20 minutos, na varanda, ele ficaria me dizendo, com aquela cara de barba mal feita, sorrisinho nos lábios e aqueles olhos matreiros: “eu não te disse?”. Que saudade, pai!



Escrito por Bertoldo Schneider Jr. às 23h26
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